Marcel Camargo

O que você sabe porque ouviu alguém falar, você ainda não sabe

Uma das características mais marcantes das redes sociais é a exposição desmedida. As notícias voam e podem chegar a milhares de computadores em questão de segundos. Infelizmente, a rapidez da travessia dessas notícias é bem mais rápida do que a comprovação de sua veracidade. E isso pode acabar com a vida das pessoas.

É muito fácil e quase que automático compartilhar publicações pela internet afora. Qualquer pessoa está munida de um celular com câmera e gravador, ou seja, flagrantes cotidianos tornaram-se comuns e muitos comportamentos que conseguiam permanecer no anonimato hoje podem viralizar instantaneamente. Ninguém está livre de ser filmado, gravado e de se tornar a bola da vez.

O ser humano tem, no geral, uma curiosidade ímpar por vidas alheias, sendo a fofoca uma prática comum nas rodas de conversa – isso desde sempre. Porém, se antigamente as línguas venenosas possuíam um alcance praticamente seleto, circunscrito ao grupo de conhecidos, hoje uma fofoca pode facilmente se tornar manchete de algum artigo em alguma página virtual. Daí a cair nas redes sociais é um pulinho. O poder de alcance do veneno social, portanto, multiplicou-se à enésima potência.

Lógico que comportamentos danosos e antiéticos devem ser repreendidos e compartilhados, como forma de alerta para que aquilo não se repita, porém, o que assusta é que, às vezes, poderemos estar julgando e condenando alguém injustamente, sem lhe dar o direito de resposta e de defesa. As pessoas têm o direito de contar a sua versão também, pois existe muita gente ruim, que apenas que ferrar o outro, sem pesar consequência alguma.

Como dizem, aquilo que a gente sabe porque supôs ou porque alguém falou a gente não sabe. É preciso ter certeza das coisas e não ficar espalhando-as por aí de maneira inconsequente, pois trata-se de histórias de vidas que carregam outras vidas consigo. Quando alguém se machuca, quem o ama se machuca junto. No mais, aquilo que for verdade a vida sempre dará um jeito de providenciar a sua devida colheita. Disso ninguém há de fugir.

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".

Recent Posts

Josie Conti: psicóloga para brasileiros no Brasil e no exterior, com escuta clínica, EMDR e psicoterapia online

Conheça o trabalho da psicóloga Josie Conti e entenda como a psicoterapia online, o EMDR…

3 semanas ago

Psicologia do trading forex: o segredo por trás da disciplina e dos lucros consistentes

Quando você entra no mercado de câmbio com a intenção de ganhar dinheiro, suas emoções…

1 mês ago

Relações abusivas nem sempre parecem abusivas — alerta a psicóloga Josie Conti

Relações abusivas nem sempre são óbvias. Entenda como o abuso psicológico se disfarça e por…

1 mês ago

O acúmulo invisível: como microtraumas cotidianos podem comprometer sua saúde emocional

Pequenas experiências do dia a dia podem se acumular e gerar sofrimento emocional. Entenda o…

2 meses ago

Divulga Mais Brasil esclarece: empresa de Ribeirão Preto não tem ligação com a Guia Divulga Mais Brasil

A Divulga Mais Brasil, empresa sediada em Ribeirão Preto (SP), esclarece ao público, a parceiros…

2 meses ago

Não é apenas mau-caratismo: Se alguém ao seu redor mente o tempo todo, ela pode sofrer deste transtorno mental específico

Mentir de vez em quando, por medo, vergonha ou para escapar de um constrangimento, está…

2 meses ago