Os que são inteiros, não sabem amar em pedaços

Eu acho que não sei não amar. Eu só sei amar mesmo. E, maluco que sou, me aventuro em amores, achando que conseguirei não amar… E me descubro amando! Me descubro me quebrando!

Há quem consiga mergulhar em uma historia de amor com frieza, com distanciamento da alma. Não estou falando de um fica ou algo do tipo, mas de relacionamento, de envolvimento. De fato, frieza nunca matou ninguém. Porém, muito amor sempre “matou” alguém. Não o corpo, mas a alma. E eu que não sei ser pela metade, me quebro tanto. Não estou estabelecendo “certo” e “errado”. É o que é. São experiências de vida e certamente gerará aprendizado.

Entretanto, não sei ser parcial, só sei ser inteiro. Não consigo, em estando com alguém, não estar lá. Não sei ser fragmentos de mim, eu só sei ser completo. E no meu eu completo, todo dia é dia de amor! Eu não sei amar só nos finais de semana, eu amo desde às 6h da manhã de uma segunda — e a cada dia ficando mais forte! Eu me apaixono e me esqueço do calendário. Todo dia é sábado à noite, todo dia é dia de estar junto, todo dia é dia de ficar pensando, todo dia é dia de ouvir aquela música e sentir o coração apertar de saudade. Não é imaturidade, é intensidade.

É intensidade sem apegos, sem posses, sem objetificações, sem enclausuramentos. E é por amar sendo inteiro que posso amar por completo. Não há partes em mim faltando, não quero preenchimentos infantis. Em metades, se tem inicio e fim; em plenitudes, inicio e fim não se definem, se misturam, se “infinitizam”.

Eu só sei amar sem medo, não sei amar tendo que “deixar o pé atrás, por precaução”, eu pulo é com os dois pés! Eu mergulho é de cabeça!

Afinal, se eu não posso ser completo, será que é amor? Pois o verdadeiro amor lança fora o medo. O verdadeiro amor me proporciona chão para crescer, me disponibiliza território para eu ser pleno. Igualmente eu sendo inteiro, todo meu eu é espaço disponibilizado para partilha, é terreno para suporte.

Sou muito inteiro para amar em pedaços.

Ícaro Henrique

Estudante de Psicologia; cronologicamente, 23 anos. Acredita piamente que o amor é a resposta, não importando a pergunta. Eterno peregrino do Caminho do Meio. Vive entre a poesia e a filosofia, onde encontra a psicologia nesse eixo e transborda tudo na escrita

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