Como família entendemos um conjunto de pessoas, normalmente ligadas por um grau de parentesco. É na família que a criança obterá sua base emocional/educacional que a acompanhará em todas as fases de sua vida.

Assim, é de extrema importância que haja uma boa qualidade de relacionamento entre a criança e a família a que pertence, pois será com base nestas relações que a criança constituirá suas primeiras crenças sobre si mesma e sobre os outros. Abarcando seu desenvolvimento psíquico saudável ou mais adoecido, dependendo da forma como foram estabelecidos estes vínculos iniciais e a manutenção destes. Ainda no que diz respeito à formação de carácter, regras sociais, de educação, interação com os outros e participação nas atividades familiares e sociais. Deste modo, é também na família que os treinos em habilidades sociais são oferecidos já em tenra idade.

Famílias onde os pais não são muito hábeis em relacionamentos, a possibilidade de filhos embotados afetivamente é bem maior. É através da família que grande parte dos valores morais bem como de conduta serão transmitidos para a criança.

Quando a família deixa de ocupar este papel, na vida de seus filhos quer seja por ausência ou indisponibilidade dos pais. Os outros veículos formativos ocuparão este lugar na função educativa que deveria ser apenas secundária na vida desta criança. Temos observado que os pais modernos, estão abrindo mão do seu papel de educadores. Estão deixando de estabelecer regras, esquecendo-se de que são modelos e modeladores de comportamento emocional e reacional para seus filhos.

O diálogo que deveria ser uma fonte de educação, tem cedido espaço para sermões intermináveis, onde a criança passa a temer a proximidade com seus pais. Ao invés de usar a comunicação para aproximar os filhos, usam como forma punitiva e autoritária, cheia de ameaças; não uma oportunidade para reflexão. Ou então, temendo a confrontação, tornam-se pais permissivos, fechando os olhos deliberadamente para os erros dos filhos.

Não, não é fácil a paternidade ou maternidade, mas quando se tem filhos, é preciso encarar os desafios de forma mais efetiva. Cada dia é um desafio revestido da imprevisibilidade peculiar ao ambiente familiar em suas mazelas.  Cada filho representa uma história a ser contada. São como pergaminhos que se desenrolam à nossa frente e que lemos, tantas vezes, como se fosse a primeira vez.  

Se, suas vidas, seus comportamentos, suas perspectivas se estreitaram e o respeito por aqueles que cuidaram da sua educação tornara-se anêmico. Nisso, há uma comprometedora parcela de responsabilidade dos pais. No que tange ao ambiente familiar, alguns pais demonstram indisponibilidade, falta de interesse, em tornar a vida com seus filhos, um lugar mais agradável e prazeroso de se morar.

Laila Ali Wahab Morais

Advogada, psicóloga clínica e escolar

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