COLABORADORES

Mulheres sábias e força interior

“Ser jovem enquanto velha, velha enquanto jovem” é o interessante subtítulo do livro A ciranda das mulheres sábias da psicanalista junguiana Clarissa Pinkola Estés.

Eu já havia lido alguns de seus outros livros, como o renomado Mulheres que correm com os lobos e O jardineiro que tinha fé. Como ela tem se dedicado a atender famílias sobreviventes ao ataque terrorista de 11 de setembro nos EUA, mergulhou fundo na percepção da existência de forças interiores para fazer face a grandes dificuldades que encontramos pelos caminhos da vida.

Embora ela se concentre em analisar a psique feminina, minha experiência como psicoterapeuta mostra que o encontro da força interior acontece em pessoas, independentemente do gênero.

Alguns temas do livro que mais me chamaram a atenção:

A expressão “ser jovem enquanto velha e velha enquanto jovem” representa o trabalho de desenvolvimento pessoal no sentido de integrar os paradoxos, mantendo-os em equilíbrio. Esses paradoxos incluem, entre outras coisas, acumular sabedoria e estar aberta a novos conhecimentos, ser ousada e precavida, tradicional e original. Essa contínua integração é um convite a viver a vida plenamente.

O espírito permanece jovem na maturidade, no sentido de preservar a curiosidade e a criatividade presentes desde a infância, enquanto se acumula experiência e sabedoria. Nas palavras da autora: “Numa psique equilibrada, essas duas forças, o espírito jovem e a alma velha e sábia, se mantêm num abraço em que mutuamente se reforçam”.
Problemas e dificuldades que enfrentamos no decorrer da vida podem se transformar em combustível para avançar na caminhada com vigor, permitindo ver mais longe e se curar das feridas.

Um conceito importante, nas palavras da autora: “Nunca subestime a resistência da velha sábia. Apesar de ser arrasada ou tratada injustamente, ela tem outro eu, um eu primordial, radiante e incorruptível, por baixo do eu que sofre os ataques – um eu iluminado que permanece incólume para sempre”.

A Dra. Estés constrói uma imagem magnífica para exemplificar a importância de buscar essa força interior: “Por baixo da terra, a árvore venerável abriga uma árvore oculta, feita de raízes vitais constantemente nutridas por águas invisíveis”.

Compreender isso a fundo é importante para trabalhar com pessoas vítimas de abusos e outras atrocidades. A grande vida poderá brotar dos profundos ferimentos para que a pessoa consiga novamente florescer ao encontrar novas forças e recompor a integridade perdida na construção de uma vida com significado e com amor profundo.

Imagem de capa: Shutterstock/Dasha D

Maria Tereza Maldonado

É Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-RIO, onde lecionou no Departamento de Psicologia. É membro da ABRATEF (Associação Brasileira de Terapia Familiar). Tem mais de 40 livros publicados sobre relações familiares, desenvolvimento pessoal e construção da paz, com mais de um milhão de exemplares vendidos.

Recent Posts

Terapia por chat: vantagens e como achar um profissional qualificado

Conheça as vantagens da terapia por chat, entenda como funciona o atendimento por mensagens e…

1 semana ago

Curso especializado em segurança reúne equipe para elevar o padrão da formação operacional

O Instituto Doutrina Policial reúne equipe multidisciplinar com o objetivo de elevar o padrão da…

2 semanas ago

O que dar de presente para alguém que acabou de se mudar?

A mudança para um novo lar costuma marcar o começo de uma nova fase, e…

2 semanas ago

Terapia em português para brasileiros no exterior: por que o idioma pode fazer diferença

Morar fora do Brasil pode representar crescimento profissional, oportunidades e novas experiências. Mas também envolve…

2 semanas ago

Autoexclusão e limites de depósito: as ferramentas previstas na lei

Com a regulamentação das apostas de quota fixa no Brasil, a preocupação com o chamado…

3 semanas ago

Psicoterapia online por mensagens: como funciona o atendimento psicológico assíncrono?

É possível fazer psicoterapia online por mensagens? Quando se fala em psicoterapia online, é comum…

4 semanas ago