Ciúme é um sentimento ligado a esfera do medo e do tumulto emocional. É ácido e corrosivo. Como descrito no poema de machado de Assis, “O Verme”, como sendo “um verme asqueroso e feio, gerado em lodo mortal…morde, sangra, rasga e mina”

Algumas pessoas parecem ter maior controle sobre esta emoção, demonstrando autoconfiança em suas atitudes, vivendo com segurança e plenitude a relação amorosa. Outras parecem viver atormentadas, desconfiadas, a espera de que algo ruim possa acontecer; como se a qualquer momento sua relação pudesse ser ameaçada por alguém mais interessante.

Existe a possibilidade de que a pessoa acusada de ser desconfiada esteja sensível a sinais reais. Nesse caso, a desconfiança é como o faro, uma qualidade intuitiva, ligada à capacidade de captação de sinais não verbais, à mudanças sutis de comportamento. Porém, há pessoas que distorcem ou criam sinais inexistentes e essas são as que sofrem com o ciúme .

Quem nunca imaginou uma situação que não se revelou compatível com a realidade? Todos temos esse potencial e o processo não é consciente. Experiências passadas de deslealdade, ruptura e perda podem fazer um grande estrago na esfera da confiança, caso não sejam reparadas posteriormente.

Essas experiências são internalizadas e criam uma espécie de radar para identificação de situações possivelmente semelhantes. Caso ocorram desfechos parecidos em outra oportunidade, essa situação é absorvida e a crença de desconfiança é reforçada. Essas vivências podem gerar distorções (na interpretação dos sinais), generalizações ( na tentativa de compreensão das situações e do outro) e todo tipo de defesas impeditivas de uma relação saudável.

Nossa base emocional também tem a ver com experiências de confiança e continuidade, que é formada nos primeiros meses de vida, quando ainda não há uma mente para compreender os mecanismos de garantia de sua sobrevivência, o que o torna totalmente dependente, vulnerável. Intuitivamente ele “sabe” disso.

O bebê pode sentir as “falhas” nos primeiros cuidados como uma agonia impensável . Caso viva experiências de descontinuidade, dificuldade no vínculo (cuidador adoecido, momento familiar difícil, separações) o bebê cria um mecanismo de sobrevivência emocional chamado de “clivagem”, ele se dissocia da realidade. Este mecanismo fica registrado em sua memória física e emocional. Caso não haja um trabalho profundo ou experiências reparadoras, ele reaparecerá na forma de dificuldade no estabelecimento de vínculos, pela falta de confiança.

Os processos de mudança têm início com a conscientização de nossas limitações e características, então que tal uma reflexão a respeito de como você lida com essa emoção?

Imagem de capa: Shutterstock/Victoria 1

TEXTO ORIGINAL DE ESQUISITAMENTE

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