Vamos falar sobre cocô e evitar problemas na vida adulta?

O tema, discutido assim, abertamente, não é comum. Por isso, quando o vimos sendo debatido por parceiros, achamos importante trazê-lo para o blog. Afinal, quem nunca teve contato com alguém que sofre de constipação ou outros sintomas intestinais que às vezes atrapalha a qualidade de vida? Pois saiba que muitos desses problemas são gerados na infância.

Sigmund Freud, o psicanalista austríaco, estudou o que ele chamou de “fase anal”, vivenciada pela criança, geralmente dos dois aos quatro anos, que é quando ela descobre que pode controlar o xixi e o cocô, fato que lhe causa prazer, porque é algo que ela faz sozinha. Esse prazer justifica, por exemplo, crianças que brincam com as fezes. Para elas, não é nojento. Para nós, que cuidamos delas, as fezes (eca!) são sujas, algo que não tem qualquer valor. Pelo contrário.

Acabamos por “esconder” esse tema de nossas conversas com a criança. Talvez isso possa contribuir a alguns problemas vivenciados na vida adulta, como bem lembra o artigo do site Catraquinha, nosso parceiro, que inspirou este post: intestino preso, má digestão, hemorroidas e, em casos mais graves, até fobias patológicas.

Falando agora das mulheres, quantas vezes elas evitam evacuar em banheiros fora de casa? Ou, ainda, sentem vergonha de fazer isso se seu parceiro estiver por perto, como se evacuar fosse algo muito ruim para sua imagem. O quanto a nossa cultura (e educação familiar) nos influencia sobre essas questões? Por isso, como pais e educadores, é importante pensar se alimentamos esses tabus com nossas crianças. Se sim, talvez seja hora de mudar.

Outro aspecto que pode influenciar a vida adulta é o desfralde, inclusive o coletivo adotado por algumas creches, como ressalta o pediatra Carlos Eduardo Correa, entrevistado pelo Catraquinha:

“Nada coletivo deveria ser aplicado na infância. Nasce o bullying justamente quando os adultos propõe algo para o qual aquela criança não está pronta. Constipação intestinal ou fazer xixi na cama por muito tempo deixam marcas. A sensação de incapacidade por não dar conta de fazer o que outras crianças fazem, como se fosse obrigação ser capaz, pior ainda”.

Mais uma vez, lembramos que somos referência para as crianças. Ou seja, se fazer cocô para nós é algo cheio de mistério e pudores, para a criança pode se tornar assim também. Ir ao banheiro e deixar a porta aberta, para que a criança entre e saia, por exemplo, pode ajudar a desmistificar o tema.

Você não consegue fazer isso ainda? Não tem problema. Afinal, você provavelmente também vivenciou esse tabu na sua infância. Mas, se quer discutir o assunto com as crianças, seguem estas dicas :

  1. Cocô – uma história natural do indizível (Editora WMF Martins Fontes), de Nicolas Davies com ilustrações de Neal Layton.
  2. Cocô no trono (Companhia das Letrinhas), de Benoît Charlat

Ler esses livros com os pequenos é uma boa maneira de começar a quebrar paradigmas.

Fonte: Desenvolvimento Infantil, baseado em: Catraquinha 

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