Por Aimée Magalhães

Tudo começou quando eu conheci aquele que considerei ser O cara. Ele parecia ser tudo o que eu precisava: não comia carne, era zen e meditava. Uma outra vez também conheci outro que julguei ser O cara. Era ator, livre, adepto do relacionamento aberto e muito atraente. Também conheci um outro O cara, que era escritor, muito culto e alto. Mas não é sobre eles que quero falar hoje. Esse texto é sobre mim e sobre nós, mulheres. Sobre o nosso comportamento com os diferentes tipos de personalidade dos caras e como estamos sempre tentando nos moldar para que o relacionamento dê certo.

Muitas de minhas amigas, e eu mesma, perceberam que temos a “ligeira” impressão de que mudamos quando conhecemos um cara que nos parece ser O cara. Isso porque queremos agradá-lo ao máximo e nos tornar indispensáveis para ele.

O cara é zen? Vamos meditar. Não come carne? Sempre quis ser mais consciente com os animais. Pratica esportes? Já estava na hora de sair do sedentarismo. Curte um poliamor? Século 21, preciso abrir minha mente e ser menos retrógrada.

E assim, com pequenas atitudes que parecem ser inofensivas, vamos nos moldando ao que achamos que o nosso parceiro gostaria que fôssemos. Até que… BOOM! Ele não quer mais.

COMO ASSIM?! Parei de comer carne, aceitei o poliamor e virei ciclista para NADA?

E então, percebemos o quanto estávamos nos forçando para sermos algo que não somos, mas sim aquilo que alguém deseja.

Essa situação é, infelizmente, muito comum. Inclusive há dois filmes sobre o assunto no Netflix: A verdade nua e crua e Qual é o seu número?. Em ambos, as personagens principais fazem de tudo para parecerem ser o mais bonitas, agradáveis e atraentes possível. Até que elas percebem quem realmente são e, como em um passe de mágica, o cara que as ama COMO ELAS SÃO já está ali do lado.

E é aí que o bicho pega.

A gente fica nessa de achar que a vida é um filme. Só que o cara que gosta da gente como a gente é, parece nunca chegar (eu sei, parece que nunca vai acontecer). E, num desespero, acabamos nos tornando aquilo que não somos só para não ficarmos sozinhas. É a velha história de “a culpa é minha”, “não posso ser assim”, alguma coisa em mim está errada”, “preciso mudar minha energia”.

HEY, seja quem for que estiver lendo isso: NÃO SE CULPE.

A gente se sente assim porque fomos ensinadas a sermos tudo aquilo que um homem precisa. E a não podermos ficar sozinhas. Essas frases parecem batidas, mas não são. Nos acostumamos a ser assim, mudamos pequenas coisas na nossa vida para agradar, e, quando vamos ver, não nos enxergamos mais.

Amiga, nós somos MUITA COISA, e não devemos negligenciar isso!

Já pensou em como seria se você não aceitasse fazer os programas do seu parceiro porque você não gosta?

Agora tenta lembrar de quantas vezes você saiu sozinha ou se sentiu sozinha porque aparentemente a música que você escuta é ruim, seus filmes são chatos, as suas festas são fúteis…

Relacionamento é troca. VOCÊ não é uma massa de modelar para ter o formato que essa “relação” exige. Relacionamento é passear no universo do outro, é se interessar pelo que a pessoa é, viveu, acredita e faz.

Abrir mão de quem somos, é a verdadeira solidão. Mudar a favor de alguém que não sabe que você escuta sertanejo tomando banho e faz dublagem de músicas em inglês usando o controle remoto de microfone, não vale a pena. Vai por mim.

TEXTO ORIGINAL DE LADO M

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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