Por Lucas Machado para o Medium

Antes de começar a explorar alguns tópicos que considero importantes nesse artigo, preciso evidenciar três informações importantes para você leitor ou leitora:

1) eu não sou um especialista no assunto, apenas busquei fazer um amontoado de conhecimentos que obtive até o — atual — terceiro ano da minha graduação e dividir com vocês;

2) as dicas abaixo foram tiradas de experiências pessoais, por isso é válido alertá-los que elas são especificamente para quem apenas estuda, pois mesmo não tendo uma boa condição financeira, meus familiares possibilitam que eu apenas faça a graduação, logo não poderia falar para quem trabalha e estuda, pois não possuo tal experiência;

3) caso você possua algum transtorno psicológico como, por exemplo, depressão e distúrbios alimentares, as dicas abaixo podem servir como um complemento, mas o que recomendo é que você procure um psicólogo ou psiquiatra e inicie um tratamento adequado.

Enfim, partamos para as dicas:

1. Organize o seu tempo, ele será fundamental no seu processo de autopreservação.

No geral, as universidades adotam um sistema baseado em prazos, o que é prejudicial para o graduando, pois o mesmo não possui o seu tempo necessário para formular uma prova ou um trabalho. Por isso, organizar a sua rotina é fundamental para não acabar com sua saúde mental, pois sabe-se bem que a probabilidade de haver um surto emocional durante a correria por conta dos prazos impostos pelos professores é grande, logo, é necessário que façamos o que nos é pedido o quanto antes, evitando deixar para o último dia.

Uma dica pessoal que lhes dou é sempre fichar tudo, sim, porque você acabará tendo muito menos trabalho para elaborar uma apresentação ou uma prova, porque seu cérebro já terá assimilado melhor a matéria e possivelmente você terá mais facilidade para responder uma questão. Saber lidar com tempo é fundamental na elaboração de uma questão, ou seja, o grande segredo para se preservar é ter sempre em mente que uma boa organização é fundamental.

2. Não abra mão das atividades físicas.

A dica acima foi descoberta por mim no meu período atual de 2017.1, pois iniciei uma atividade física prazerosa após anos não conseguindo me encaixar em nenhuma outra. Uma das formas que encontrei para manter a minha sanidade alta foi fazer uma atividade física que me fizesse não apenas me sentir bem com meu corpo, mas também que me fizesse relaxar. Escolhi a natação e posso dizer que consigo colocar todos os meus pensamentos bons e ruins em ordem.

A melhora da respiração e o aumento da coordenação motora são fundamentais para uma rotina puxada, por isso, estar preparado fisicamente também é estar preparado psicologicamente, porque o primeiro pode lhe prevenir de cansaço físicos que poderão acarretar em distúrbios emocionais. Diversas vezes deixei de fazer algo por conta da rotina puxada, mas não por conta da minha saúde mental, mas sim por conta do meu condicionamento físico, após esse acontecimento que pude sentir os surtos emocionais mais fortes do que nunca.

3. A faculdade não é apenas sala de aula, encontre o seu “nicho”.

Desde a educação básica somos levados a crer que apenas aprenderemos algo dentro de quatro paredes, ignorando totalmente as vivências que acumulados durante toda nossa vida em nossos lugares de convívio. Por isso, a dica que lhes dou é não achar que o aprendizado está apenas em sala de aula, mas também está ao participar de grupos de estudos, coletivos, da vida política da universidade, ir a palestrar e eventos, dentre outros vários eventos que ocorrem porta à fora.

É evidente que a universidade reproduz as desigualdades sociais presentes na sociedade, por isso encontrar o seu “nicho” pode ser fundamental para resistir a esses problemas que aparecerão durante a graduação. Digo isso porque já passei por um problema — que já contei aqui — , e foi fundamental estar organizado para conseguir enfrentar não apenas materialmente, mas psicologicamente.

A construção de um bom profissional e de um bom cidadão não depende de um alto CR, mas também de estar participando ativamente dos espaços que se abrem dentro da universidade, pois a sociedade é assim: não existe apenas o espaço do trabalho e o da família, existem muitos outros inexplorados por algo que na Sociologia chamamos de atitude blasé, que seria basicamente você não conseguir reagir da mesma forma com todas as coisas que lhe são apresentadas, isso, segundo o sociólogo da Escola de Chicago, Simmel, acontece por conta dos interesses que nos objetivam a determinado “caminho”.

4. Mais vale ir bem em 4 matérias do que ir mal em 7.

Uma das práticas que eu não recomendo de forma alguma é pegar mais matérias do que sua sanidade e seu tempo suportam, isso é amplamente prejudicial para você, caso você não esteja preparado psicologicamente para lidar com uma gigantesca carga de provas, trabalhos e leituras ao longo de alguns meses.

Presenciei muitos colegas de curso surtarem por fazerem várias matérias, e acompanhei o quão isso foi prejudicial para sua vida acadêmica e pessoal. Além do mais, uma dica valiosa também é não apenas fazer vossa grade com aquilo que é obrigatório, mas também explorar os outros departamentos e cursos oferecidos. Não tenha medo, por exemplo, de fazer um curso de línguas no Departamento de Letras, ou quiçá um curso de fotografia no Departamento de Comunicação ou Design, ou até pegar uma matéria de Exatas fazendo Humanas.

A última parte desta dica será referente ao cancelamento de uma matéria, se você não está feliz e aquilo está lhe fazendo mal, tranque — se você não for perder sua bolsa ou se isso não for lhe prejudicar, claro. Eu já fiz algumas matérias que me faziam extremamente mal e fui até o final, o resultado foi um início de depressão e horas de sono perdidas.

5. Não tenha medo de errar, o erro faz parte da graduação.

Somos sempre levados a acharmos que devemos fazer uma graduação visando o acúmulo de dinheiro — algo que falei aqui — , porém, lhes questiono quanto a isso, porque cada um constrói a felicidade à sua maneira, não há nada errado em querer ser rico como também não há nada errado em querer ministrar aulas e ganhar um salário baixo, ou ser freelancer e ganhar um dinheiro não certo todo mês a partir da escrita.

O importante, acima de tudo, é você fazer o que lhe dar prazer —é algo clichê, mas posso lhes afirmar que nem sempre seguimos isso à risca. Isso geralmente não acontece porque ainda não descobrimos como iremos construir nossa graduação — ou quiçá nossa vida — , a faculdade é um local de descobrimento pessoal, nela você irá mudar várias vezes, irá fazer escolhas erradas, poderá até trocar de curso mais de uma vez, mas, ao final, você poderá não ter a certeza, mas também não terá arrependimento de ter feito as escolhas que fez.

6. Não deixe de tirar um tempo para você.

A última dica é algo que nunca deixei de fazer: tirar um dia para mim. Isso mesmo, faça algo que você goste, assista uma série na Netflix ou vá à praia, mas não deixe de aproveitar um dia “sabático”, pois isso será fundamental para você abstrair a rotina e evitar a alta da tão temida ansiedade — algo que falei sobre aqui.

 

Precisa de ajuda? Conheça a nossa orientação psicológica.


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REDAÇÃO PSICOLOGIAS DO BRASIL
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