Tem série que te pega pela história. Alaska Daily te pega primeiro pelo olho: neve batendo na janela, céu cinza com luz de fim de tarde, ruas frias de Anchorage, e aquela sensação de que cada cena foi pensada pra respirar.
E, quando você já está confortável nessa beleza quieta, a trama faz a virada: ela puxa você pra perto de um tema pesado (e real) sem “discurso pronto”, mais no jeito de quem insiste em olhar de frente.
A premissa é simples e afiada. Hilary Swank interpreta Eileen Fitzgerald, jornalista famosa de Nova York que chega ao Alasca para recomeçar num jornal local em crise, o Daily Alaskan.
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Só que esse recomeço não é “vida nova com paisagem bonita”: Eileen tromba com uma rotina de redação dura, orçamento curto e um caso que atravessa a série — o padrão de mulheres indígenas desaparecidas e assassinadas, investigado ao lado da repórter Roz Friendly (Grace Dove).
O criador é Tom McCarthy (de Spotlight), e dá pra sentir a mão dele quando a série acerta: a câmera fica tempo suficiente nas conversas, deixa as pessoas tropeçarem nas palavras, e não transforma redação em espetáculo.
A história foi inspirada por reportagens do Anchorage Daily News com a ProPublica, especialmente a série “Lawless”, e isso aparece mais no “cheiro” de apuração do que em copiar um caso específico.

A beleza “de encher os olhos” funciona por contraste. Tem o cartão-postal (montanhas, estradas vazias, gelo), mas também tem o Alasca urbano: salas fluorescentes do jornal, cafés simples, delegacias, corredores.
A série usa esse visual pra bater numa tecla: num lugar onde a paisagem chama atenção o tempo todo, o que some fácil é gente — e esse incômodo vira combustível narrativo.
Só um detalhe curioso: apesar de se passar no Alasca, a produção filmou bastante no Canadá (British Columbia e Northwest Territories), com passagens por Anchorage para ambientação.
No elenco de apoio, Jeff Perry segura bem a figura do editor (aquele tipo que tenta manter o jornal vivo com fita adesiva e teimosia), e Grace Dove dá à Roz uma firmeza que equilibra a intensidade da Eileen.

A dinâmica das duas é o motor emocional mais forte: não é “dupla perfeita”, é dupla que se estranha, se testa, se respeita — e cresce na marra, porque o assunto não aceita superficialidade.
Vale alinhar expectativa: foram 11 episódios e a série terminou na 1ª temporada (foi cancelada em maio de 2023).
Mesmo assim, dá pra assistir como uma minissérie “fechadinha o suficiente” pra deixar sensação de entrega — com algumas pontas propositalmente abertas, do tipo que combina com a realidade que ela retrata.
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Fonte: ABC7
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