Assinantes da Netflix dizem que esta é uma daquelas experiências que você termina em silêncio absoluto

Tem série que você termina já abrindo o WhatsApp pra comentar o plot. Katla faz o contrário: ela te entrega um último episódio que não pede gritaria — pede uns minutos olhando pro nada, tentando colocar em ordem o que você acabou de sentir.

E isso acontece porque a série não quer vencer no grito; ela vai no desconforto calmo, naquele tipo de mistério que mexe com culpa, luto e escolhas que a gente empurra pra debaixo do tapete.

A premissa já começa com um clima “fora do normal”: um ano depois de uma erupção, a pequena Vík (no sul da Islândia) segue coberta por cinzas, com pouca gente insistindo em ficar.

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Até que o gelo começa a “devolver” pessoas — nuas, cobertas de cinza, e, pior (ou melhor): gente que desapareceu ou morreu volta do mesmo jeito que era antes.

A Netflix descreve o cenário como uma comunidade virada do avesso por mistérios que surgem do gelo, e é exatamente por aí que a história se organiza.

O motor dramático de Katla não é “descobrir o que é” e pronto. A série te coloca na posição dos moradores: o que você faz quando a sua dor ganha corpo e aparece na sua frente? Você esconde? Você testa limites? Você finge que não viu?

É nessa fricção que a trama avança — e é por isso que muita gente que entra esperando só um suspense de criatura estranha acaba encontrando algo bem mais emocional. Críticas lá de 2021 já destacavam esse lado: o mistério é o gancho, mas o que prende é o peso afetivo do que volta.

No centro estão personagens como Gríma (Guðrún Eyfjörð), que vive num estado de travamento desde o sumiço da irmã; e Darri, um cientista/volcanólogo que tenta lidar com um retorno impossível. A série foi criada por Sigurjón Kjartansson e Baltasar Kormákur, e tem 8 episódios — formato perfeito pra manter a sensação de “tensão contínua”, sem virar novela.

O ritmo é um ponto que divide opiniões — e vale avisar com honestidade: Katla é lenta de propósito. Ela gosta de silêncio, de planos longos, de pouca explicação imediata. Pra quem curte mistério que vai encaixando peças aos poucos, isso vira charme.

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Pra quem precisa de reviravolta a cada 10 minutos, pode bater impaciência. Só que o “lento” aqui não é enrolação gratuita: combina com o lugar (cinza, isolamento, gelo) e com o tema (gente que não consegue seguir em frente).

Visualmente, é difícil não comprar a proposta. A erupção constante funciona como uma presença fixa: não é cenário bonito pra cartão-postal; é um lembrete de que nada ali está estável.

E quando os “retornados” aparecem, a série evita espetáculo: ela filma como se aquilo fosse um problema humano antes de ser um evento sobrenatural.

O que mais funciona em Katla é a ideia do “duplo” como teste psicológico: se alguém volta, volta igual mesmo? Volta com a mesma memória? Com o mesmo desejo? Com a mesma culpa?

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A série brinca com isso sem entregar tudo mastigado, o que ajuda a explicar por que tanta gente termina em silêncio: você fecha o episódio e fica reorganizando, não só o enredo, mas as escolhas dos personagens.

Vale o aviso de conteúdo: a própria Netflix classifica como TV-MA, então não é uma série “leve”. Não é pelo gore; é pelo clima opressivo e pelos temas (luto, perdas, relações quebradas).

Se você gosta de séries que entregam mistério + clima + drama humano, Katla é daquelas apostas certeiras. E se você terminar sem vontade de falar nada… tá dentro do esperado.

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