Douglas Souza da Silva Mariano, empresário de 29 anos no Rio de Janeiro, começou a falar publicamente sobre uma situação que ele vive com frequência desde que a filha, Manuella, nasceu: ele é negro, ela é albina — e muita gente acha “normal” questionar se os dois são mesmo pai e filha.
O resultado vai de olhares atravessados a falas diretas, ditas sem nenhum constrangimento.
Em um dos relatos que ele publicou no TikTok, Douglas conta que levou a bebê a um posto de saúde e ouviu da atendente algo na linha de “só posso atender com um responsável, pai ou mãe”, como se ele não pudesse ser o pai ali, na frente dela.
Em outro momento, veio a pergunta que parece elogio, mas carrega suspeita: “Que linda… de quem é?”. Não foi um caso isolado; virou rotina.
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Os vídeos se espalharam rápido e alguns chegaram perto de 2 milhões de visualizações. Douglas diz que nem esperava repercussão — a ideia inicial era tratar como um vídeo bem-humorado, quase um “meme”, do tipo: “a gente não vai baixar a cabeça pra preconceito”.
Só que o alcance trouxe uma coisa maior: mensagens de apoio, relatos de outras famílias e um monte de gente dizendo “eu já passei por isso”.
Mesmo tentando levar com leveza nas redes, ele deixa claro que os comentários do dia a dia não têm nada de engraçado. Segundo Douglas, quase sempre são falas atravessadas, desconfiadas e insistentes, que revelam mais ignorância do que curiosidade genuína.
Ele diz que aprendeu a não bater boca toda hora, porque entende que muita gente fala sem ter a menor noção do que é albinismo — e, pior, sem perceber o peso racial e social da desconfiança quando um pai negro está com uma criança de pele clara.
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Foi justamente por isso que ele decidiu usar a visibilidade para explicar o tema. Douglas passou a comentar sobre albinismo de forma simples, prática, e com exemplos reais do que a família enfrenta.
Na visão dele, informação muda o clima: quando as pessoas entendem o básico, elas tendem a respeitar mais — e pensam duas vezes antes de soltar uma “piadinha” ou uma pergunta invasiva.
A história da chegada de Manuella também tem um detalhe bem cotidiano. A descoberta da gravidez veio em julho de 2024, durante um almoço: a esposa brincou dizendo que estava com “fome de grávida”.
Douglas entrou na brincadeira, comprou um teste numa farmácia e, para surpresa geral, deu positivo — e já indicava cerca de duas semanas. Ele conta que demorou alguns minutos pra cair a ficha, porque parecia pegadinha.
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A gestação correu bem e Manuella nasceu em 28 de janeiro de 2025. No parto, Douglas lembra de perceber rapidamente os traços da filha — especialmente o cabelo bem clarinho. A equipe chegou a comentar que ela era “loira”, mas logo veio a confirmação médica: albinismo.
Na família da esposa já existiam casos, mas Douglas admite que, quando ouviu o diagnóstico, bateu uma preocupação real.
Não por achar que a filha teria “limitações”, e sim por pensar no mundo lá fora: o tipo de preconceito que ela poderia enfrentar, os cuidados necessários e o medo de não saber lidar com tudo no começo.
Depois do susto, com orientação médica e mais conhecimento, ele foi entendendo que o albinismo exige atenção — mas não define a vida de uma criança.
Hoje, Douglas fala do assunto com mais tranquilidade: para ele, é uma condição que pede acompanhamento e alguns hábitos, não um rótulo que reduz a filha a isso.
Em casa, o foco é criar um ambiente em que a Manuella cresça com segurança e autoestima, para que, quando for maior e começar a entender o tema, a conversa venha com naturalidade e sem vergonha.
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Nos cuidados práticos, ele destaca principalmente proteção contra o sol e acompanhamento oftalmológico regular, já que o albinismo costuma exigir atenção especial à pele e à visão.
Fora isso, Douglas descreve a rotina da filha como a de qualquer bebê: brinca, dá risada, aprende coisa nova todo dia e segue crescendo feliz — enquanto ele tenta fazer sua parte para que as pessoas parem de tratar uma família real como se fosse uma “dúvida ambulante”.
Assista ao vídeo (TikTok).
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