Não faz tanto tempo que “ir pro hospital” era assunto mais ligado a febre, queda e virose. Só que, em muita família, a urgência agora tem outro nome: crise de ansiedade, agressividade fora de controle, pânico, insônia que desorganiza a casa inteira — e, em casos mais graves, internação psiquiátrica ainda na infância.
Foi nesse ponto que a psicanalista e palestrante Andréa Vermont chamou atenção em um vídeo que viralizou nas redes nesta semana.
Na publicação, ela relaciona o aumento de quadros graves em crianças ao uso sem freio de telas e à falta de supervisão, dizendo que já vê sinais de dependência e desregulação emocional cada vez mais cedo.

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Vermont se apresenta como vencedora do Top of Mind Brazil 2025, doutora em Filosofia da Mente e criadora de conteúdo com grande alcance online.
O alerta dela conversa com um cenário que aparece também em levantamentos recentes com base em dados do SUS.
Uma reportagem do Correio (BA), usando números do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS), aponta crescimento nas internações por transtornos mentais entre crianças e adolescentes nos últimos anos.
Quando o tema é tela, o recado das organizações de saúde costuma ser menos “terror” e mais regra prática. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda zero tela sedentária para bebês de até 1 ano e, a partir de 2 a 4 anos, no máximo 1 hora por dia (e quanto menos, melhor), dentro de um pacote que inclui sono e tempo de brincadeira ativa.

Na mesma linha, a American Academy of Pediatrics (AAP) discute há anos a relação entre mídia e primeira infância e reforça um ponto que costuma passar batido: o problema não é “a tela existir”, e sim o excesso e o fato de ela trocar o contato humano (conversa, brincadeira, rotina, leitura, vínculo) — justamente o que mais organiza o desenvolvimento nessa fase.
E isso tem uma base bem direta no desenvolvimento emocional.
O psiquiatra Daniel J. Siegel, referência em neurociência interpessoal, descreve como o cérebro infantil se estrutura na relação e na interação cotidiana — algo que nenhuma rolagem infinita entrega do mesmo jeito.

Na prática, os sinais que mais preocupam profissionais (e que costumam aparecer junto de rotinas “dominadas” por tela) incluem: irritabilidade intensa, dificuldade de atenção, piora do sono, explosões de raiva desproporcionais, retraimento e queda no interesse por brincar.
Em caso de piora rápida, prejuízo grande na escola/convivência, ou episódios de crise que a família não consegue manejar com segurança, a orientação é buscar avaliação com pediatra e/ou psiquiatria infantil e um acompanhamento psicológico especializado.
Assista ao vídeo aqui.
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Fonte: OMS
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