Chegar aos 101 anos ainda trabalhando, atendendo clientes e participando da rotina de uma empresa já chama atenção por si só.
No caso de Ann Angeletti, o que mais intriga nem é a idade, mas a convicção com que ela fala sobre o que a mantém de pé: para ela, parar de fazer algo útil todos os dias seria o começo do fim.
Moradora de Nova Jersey, nos Estados Unidos, Ann continua à frente da joalheria da família ao lado da filha e da neta. Ela trabalha seis dias por semana e leva a sério a ideia de que permanecer em movimento, com a cabeça ocupada e cercada de gente, tem peso real em sua saúde.

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Na visão dela, a aposentadoria total pode roubar justamente o que sustenta o ânimo de muita gente: motivo para levantar da cama.
A história de vida da centenária ajuda a entender por que ela pensa assim. Ainda jovem, precisou deixar os estudos para ajudar os pais no comércio da família. Mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou em um estaleiro.
Depois disso, passou por outras funções, inclusive como garçonete, até se aproximar do setor de moda e joias, área em que fincou de vez os pés.
Essa disposição para mudar de rota quando foi preciso parece ter virado uma marca da vida dela. Em vez de se apegar a uma única fase, Ann foi se ajustando ao que cada momento exigia.
Hoje, mesmo com mais de um século de vida, segue envolvida em decisões do negócio, conversa com fornecedores e mantém contato direto com o público.

Para ela, trabalhar está longe de significar excesso ou sacrifício. O ponto central, segundo diz, é se sentir necessária, manter a mente desperta e continuar em contato com o mundo ao redor. Esse compromisso diário, ainda que em ritmo compatível com a idade, seria um dos pilares de sua longevidade.
Ann também costuma defender que ninguém deveria se entregar à inércia depois de envelhecer. Caso o trabalho formal acabe, ela acha importante encontrar outra ocupação que exija raciocínio, interesse e presença.
Pode ser um projeto pessoal, uma atividade criativa, trabalho voluntário ou qualquer compromisso que impeça a pessoa de entrar num ciclo de isolamento e apatia.

A rotina dela ainda inclui cuidados bem simples, mas constantes. Levantar mesmo nos dias em que o corpo pede mais descanso é um deles. Outro é não relaxar com a própria apresentação: higiene, pele, roupa e aparência são tratados como parte do respeito que ela mantém por si mesma. Comer com equilíbrio, sem radicalismos, entra no mesmo pacote.
Esse cuidado, porém, não fica restrito ao corpo. Ann também chama atenção para algo que costuma passar batido quando se fala em envelhecimento: o risco de a pessoa ir se apagando emocionalmente.
Ela vê o desânimo prolongado, o afastamento social e a falta de interesse pelas coisas como sinais perigosos. Por isso insiste em continuar presente, ativa e envolvida.

As relações humanas ocupam um espaço importante nessa conta. Ann valoriza o contato com clientes e transforma o atendimento em algo mais próximo, com conversa, escuta e troca real. Para ela, estar entre pessoas, ouvir histórias e manter curiosidade sobre os outros ajuda a conservar a mente viva.
Quem convive com a centenária costuma descrevê-la como alguém bem-humorada, atenta e ainda disposta a aprender. Essa combinação, segundo ela mesma, conta mais para envelhecer bem do que qualquer fórmula milagrosa.
Seu raciocínio é direto: ter alguma função, cuidar de si e não se desligar das pessoas pode fazer diferença concreta na forma como o tempo pesa — ou pesa menos.
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