Tem gente que termina uma relação sexual satisfeito, de boa… e, poucos minutos depois, sente um “curto-circuito” emocional: aperto no peito, irritação sem motivo claro, vergonha, ansiedade ou vontade de chorar.
E o mais intrigante é que isso pode aparecer mesmo quando foi consensual, carinhoso e tecnicamente “deu tudo certo”.
Esse tipo de virada de humor tem nome e já foi descrito na literatura: disforia pós-coito (PCD, do inglês postcoital dysphoria).

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A ideia central é simples: uma reação emocional negativa ou confusa que surge depois do sexo, muitas vezes depois do orgasmo, mas que pode ocorrer mesmo sem ele. Não é um “sinal” automático de que a experiência foi ruim, nem prova de falta de amor, atração ou conexão.
Os números ajudam a entender por que tanta gente já passou por isso e achou que era “só comigo”. Um estudo de 2015, publicado na revista Sexual Medicine, entrevistou 230 mulheres (18 a 55 anos) e encontrou 46% relatando pelo menos um episódio de PCD.
Já uma pesquisa de 2019 com 1.208 homens apontou 41% com a mesma vivência em algum momento da vida.
Em entrevista ao portal Metro, a terapeuta sexual e de relacionamentos Gigi Engle descreveu o quadro como aquela sensação de tristeza ou agitação que pode aparecer após sexo consensual, inclusive quando o encontro foi prazeroso — e reforçou que, embora possa acontecer sem orgasmo, muitas pessoas associam o “baque” justamente ao pós-clímax.
Sobre as causas: ainda não existe uma explicação única fechada. Pesquisadores trabalham com hipóteses que vão de fatores psicológicos (histórico de abuso, ansiedade, sentimentos ambivalentes sobre sexualidade, conflitos internos, problemas emocionais) até situações mais do dia a dia, como tensão no relacionamento, desgaste afetivo, estresse acumulado e fases de humor mais baixo.

Em outras palavras: às vezes é algo pontual; em outras, é um sintoma que “puxa o fio” de questões mais antigas.
E quando isso vira motivo de atenção? Quando passa a ser frequente, intenso, dura muito tempo ou começa a interferir na autoestima, no desejo, no vínculo do casal ou na forma como a pessoa se sente com o próprio corpo.
Nesses casos, especialistas costumam indicar apoio profissional, porque conversar com um psicoterapeuta ajuda a mapear gatilhos, significados e padrões.

A Psych Central também cita que, quando a dinâmica do casal entra no problema, terapia de casal pode ser uma via útil para lidar com conflitos não ditos e emoções que ficam “travadas” e acabam aparecendo exatamente no momento em que ninguém espera.
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