A série que mostra como um romance apaixonado se transforma em 8 anos de manipulação e mentiras

Tem série que você termina um episódio e já sabe exatamente qual vai ser o próximo pedido de desculpas, a próxima “conversa séria”, o próximo sumiço conveniente.

Me Conte Mentiras (no Disney+ no Brasil) funciona justamente porque transforma esse ciclo em narrativa: não romantiza o caos com música bonitinha o tempo todo — ela mostra como a confusão vira rotina e como, quando você percebe, já tem gente demais ferida ao redor.

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A história parte de um ponto bem simples: Lucy Albright chega à faculdade tentando se reorganizar depois de traumas e de uma relação complicada com o passado, enquanto Stephen DeMarco aparece com carisma de vitrine e uma habilidade assustadora de puxar as pessoas para onde ele quer.

O encontro dos dois parece “romance universitário”, mas rapidamente vira um vínculo com mentiras em camadas, dependência emocional e brigas que nunca fecham de verdade — e essa dinâmica se estica por oito anos, com idas e vindas que contaminam amizades, reputações e escolhas de vida.

O acerto da série está no jeito como ela recusa a linearidade confortável. A trama alterna períodos (o “começo” e as consequências anos depois), e isso muda tudo: você não assiste esperando “se vai dar certo”, e sim como certas decisões viram um peso que ninguém sabe carregar direito mais tarde.

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No centro, Grace Van Patten dá à Lucy um tipo de frieza que não é pose — é defesa. Ela segura informação no rosto, no silêncio, no jeito de reagir quando percebe que foi empurrada para um canto.

Já Jackson White faz Stephen do jeito que mais irrita (e por isso funciona): ele não precisa gritar para dominar a cena; basta uma frase jogada, um detalhe contado pela metade, um “elogio” com veneno.

A série acerta em não explicar Stephen com discurso pronto: ela prefere mostrar o efeito dele nos outros — e isso incomoda mais.

Outro ponto forte é que Me Conte Mentiras não vive só do casal principal. O grupo ao redor vira termômetro moral: amigos que passam pano, gente que percebe tarde demais, gente que tenta sair e é puxada de volta.

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Isso ajuda a série a fugir daquela sensação de “história fechada em dois personagens” e dá peso às consequências sociais desse tipo de relação.

Onde a série divide público é no método: ela insiste em repetir padrões (porque relações assim repetem padrões), então há momentos em que o espectador pode sentir desgaste — especialmente quando você já entendeu o jogo e só quer ver alguém quebrando a roda.

Em compensação, essa insistência é parte do retrato: o enredo faz você experimentar a exaustão junto com quem está preso ali.

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Sobre disponibilidade: a produção é baseada no livro “Tell Me Lies”, de Carola Lovering, e chegou ao Brasil pelo Disney+.

E, sim: a 3ª temporada foi tratada como encerramento, com a criadora Meaghan Oppenheimer dizendo que era o final que a equipe tinha em mente e que a série chegou à sua conclusão natural.

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Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.