Por Ísis de León para o Oficina da Psicologia

Você conhece alguém que tem uma personalidade narcisista?  É sempre uma pessoa reconhecida por seu sucesso; é exigente, crítica e muito competitiva em relação a todas as áreas da vida: familiar, social, profissional, etc. Com padrões muito altos de desempenho, busca sempre a aprovação, a admiração, a superioridade, em todos os aspectos.

Uma pessoa assim, quando se torna pai/ mãe, tende a considerar seus filhos como extensões de si mesma: a função deles será engrandecer ainda mais a sua imagem. Esta é a chamada parentalidade narcísica, que exige dos filhos um desempenho de eficiência máxima, e se caracteriza pelo excesso de críticas, rigor e depreciação. São pais pouco empáticos com seus filhos; tendem a subestimar suas necessidades, e podem ser emocionalmente negligentes.

Frases que ouvimos no consultório ilustram as marcas deixadas em adultos e adolescentes, filhos de pais narcisistas:

-“Minha mãe sempre criticou muito minhas falhas, mas nunca elogiou os meus sucessos; dizia que, sendo sua filha, era minha obrigação”

– “Meu pai, que era empresário, sempre me disse que, se não o superasse em sucesso, eu seria um fracassado”

– “Meus pais só conversavam comigo para saber dos meus estudos; quando tentei o suicídio, fingiram que nunca aconteceu”

– “Quando era pequena, sofria bullying na escola; minha mãe dizia que isso era bom para me fortalecer”

Segundo a psicoterapeuta americana Linda Martinez-Lewi, autora de diversas obras sobre a Personalidade Narcísica, ser criado por um pai narcisista é emocional e psicologicamente abusivo e causa efeitos debilitantes e duradouros para as crianças.

Isto muitas vezes deixa de ser notado pelos profissionais, porque os narcisistas podem ser encantadores em sua apresentação, exibindo uma imagem de como desejam ser vistos. Atrás de portas fechadas, as crianças se sentem sufocadas e pressionadas, e lutam com a solidão e a dor.

A criança não se sente ouvida ou reconhecida em sua individualidade; sendo sempre julgada e criticada, ela pode crescer com a impressão de “nunca ser boa o bastante”, o que terá efeitos negativos em seu desenvolvimento psicológico. É comum que estas pessoas somente percebam que são filhos de pais narcisistas quando buscam ajuda psicológica, e precisam se re-estruturar emocional e cognitivamente.

A psicoterapeuta cognitivo-comportamental Michele Engelke, autora do livro Prisioneiras do Espelho: Um guia de liberdade pessoal para as filhas de mães narcisistas, sugere que, para superar o que ela chama de “legado narcisista”, é preciso trabalhar na recuperação da autoestima, aprender a lidar com a culpa e a raiva, a definir os próprios limites, além de investir em autonomia e emancipação emocional.

Voltando à pergunta que iniciou este texto: se você conhece alguém que tem uma personalidade narcisista, fique atento às relações parentais desta pessoa e, se perceber alguns dos traços descritos acima, sugira que ela procure ajuda profissional. Um narcisista dificilmente busca auxílio psicológico – ele nunca acha que precisa – por isso é importante conscientizá-lo do dano emocional que causa em torno de si, para, quem sabe, assim tomar uma decisão que poderá evitar uma grande carga de sofrimento na família.

Precisa de ajuda? Conheça a nossa orientação psicológica.


*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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