Da paixão à crise: psicóloga explica os 5 estágios de um relacionamento

Se você está lendo isso com o coração meio apertado (ou com aquela sensação de “a gente tá bem… mas tá estranho”), respira comigo: relacionamento não é linha reta.

Ele tem fases. E, sim, algumas são lindas — outras são confusas, instáveis e cheias de altos e baixos. O ponto é que isso não significa automaticamente “acabou”. Às vezes, significa apenas que vocês saíram do encanto e entraram na vida real.

A psicóloga Josie Conti, especialista em EMDR e de orientação psicodinâmica, chama atenção para um detalhe importante: a gente costuma romantizar o começo e demonizar a crise, quando, na prática, cada etapa tem uma função.

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E tem ciência por trás disso também: no início, seu cérebro pode estar inundado de substâncias ligadas a prazer, motivação e vínculo (como dopamina e ocitocina), o que ajuda a explicar por que tudo parece tão intenso e “certo”.

A seguir, os cinco estágios — com um olhar bem humano (e sem julgamento) para o que costuma acontecer em cada um.

📌 Se, em algum ponto da leitura, você sentir que esse assunto mexe mais do que gostaria, saiba que é possível conversar com a psicóloga Josie Conti pelo WhatsApp, com acolhimento e escuta cuidadosa. 🤍


 

1) Paixão

É o começo eletrizante: conversa rende, o toque arrepia, a pessoa parece impecável. Aqui, é comum idealizar sem perceber — não por ingenuidade, mas porque a paixão deixa a gente mais focado no que encanta do que no que complica. A neurociência descreve esse período como um “modo euforia”, com forte ativação de recompensa e vínculo.

Paixão não é mentira — é um estado do cérebro. O risco é confundir química com compatibilidade.” — Josie Conti

2) Seriedade do relacionamento

A intensidade abaixa um pouco e dá lugar a algo mais estável. Rotina aparece, combinados começam a importar, e o relacionamento fica mais “vida de verdade”. É quando a pergunta muda de “a gente combina?” para “a gente funciona?”.

É também o começo do campo onde feridas antigas podem aparecer: ciúmes, insegurança, medo de abandono, necessidade de controle… nem sempre por causa do outro, mas por histórias internas que o relacionamento ativa.

3) Crise e questões

Aqui mora a parte que assusta. Conflitos ficam mais frequentes, a sensação de conexão pode cair, e o casal começa a encostar nas diferenças reais: valores, limites, jeito de amar, expectativas, passado, família, planos.

Muita gente interpreta isso como “acabou o amor”. Só que, nessa fase, o que frequentemente morre é a idealização — e isso é dolorido, mas pode ser um portal para algo mais verdadeiro.

A crise não prova que o amor acabou; muitas vezes prova que vocês pararam de atuar e começaram a se mostrar.” — Josie Conti

Um ponto psicodinâmico bem importante: às vezes a briga “de hoje” carrega um peso antigo. Você discute sobre mensagens no celular, mas o que dói mesmo é a sensação de ser trocada; você fala de atrasos, mas o gatilho é se sentir pouco importante.

Quando certas discussões parecem um replay, pode ser sinal de um nó emocional mais profundo. E há pesquisas mostrando que a ocitocina (relacionada ao vínculo) tem papel relevante nos primeiros meses do apego romântico — o que também ajuda a entender por que a transição do “encanto” para o “real” pode balançar a base.

4) Aceitação real

Se o casal atravessa a crise com maturidade, chega um tipo de paz: você enxerga o outro sem fantasia (e sem vilanizar).

É quando dá para dizer “isso aqui é você” e, ao mesmo tempo, escolher como lidar com isso. Aceitar não é engolir tudo — é parar de lutar contra a realidade e começar a negociar caminhos possíveis, com respeito e responsabilidade afetiva.

Aceitação real é parar de pedir que o outro seja um personagem do seu roteiro interno — e começar a construir um ‘nós’ possível.” — Josie Conti

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5) Construção compartilhada

Essa é a fase em que o relacionamento vira projeto: não no sentido de “perfeição”, mas de parceria. As diferenças deixam de soar como ameaça e passam a ser algo que o casal aprende a administrar.

Aqui, o vínculo é menos sobre “me completa” e mais sobre “a gente constrói”. E isso importa porque relacionamentos (quando saudáveis) têm impacto direto no nosso bem-estar emocional — e até físico.

Uma meta-análise clássica encontrou associação entre relações sociais mais fortes e maior chance de sobrevivência ao longo do tempo, sugerindo que vínculo e suporte social são fatores relevantes para saúde.

Se você se identificou com a fase 3 (crise), não precisa concluir às pressas que “não era amor”. Pode ser, sim, um sinal de incompatibilidades importantes — mas também pode ser um convite para olhar com honestidade: o que eu estou repetindo? o que eu espero sem dizer? o que eu tolero com medo de perder? o que eu deixo de pedir por vergonha?

E se a relação tem te deixado mais ansiosa, confusa, insegura ou esgotada do que acolhida, buscar ajuda não é fraqueza — é cuidado. Às vezes, uma conversa certa, no momento certo, muda o jeito de enxergar tudo.

Um convite

Se você quiser entender em que estágio está, o que esses conflitos podem estar revelando e quais caminhos fazem sentido para você (sem pressão e sem compromisso), você pode chamar a psicóloga Josie Conti no WhatsApp para uma conversa honesta:

👉 Falar com Josie no WhatsApp
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