O término do Ensino Médio quase sempre é um momento da nossa vida que nos faz sentir angústia, não só porque estamos fechando um ciclo, nos aproximando da vida adulta e adentrando um mundo novo, mas também porque temos que começar a fazer escolhas que podem mudar os rumos das nossas vidas. Dentre várias destas escolhas que envolvem nosso futuro, começamos a pensar qual profissão seguir e na possibilidade de ingressar em uma Universidade.

Muitas perguntas passam pela nossa cabeça quando nos deparamos com tantas opções: Será que eu vou gostar de fazer isso? Essa carreira combina comigo? Vou conseguir emprego na área? E se eu não gostar do curso que escolhi? – E muitas vezes nós não temos experiências ou até mesmo referências de um profissional ou pessoa próxima que atue na área que almejamos para conversar sobre o tema, o que torna esse momento ainda mais difícil. Estas questões também podem ocorrer dentre aqueles que estão em dúvida sobre seguir a carreira de Psicologia.

Comigo também não foi diferente, hoje, estou me graduando em Psicologia, entretanto esta não foi a minha primeira escolha. Iniciei minha vida universitária em um curso de Exatas, muito diferente da área que estudo hoje. Depois de dois anos, descobri que não queria trabalhar com aquilo, não combinava comigo, ao mesmo tempo não sabia o que mais poderia fazer. Com isso, comecei a fazer terapia, e finalmente encontrei uma profissão que eu gostaria de exercer, assim, eu conheci a profissão do psicólogo e resolvi que eu queria trabalhar com pessoas, não que nas outras profissões você não precise lidar com pessoas, mas neste caso, a relação com as pessoas é o seu objeto de trabalho.

Ao dar início ao curso de Psicologia descobri que a área vai muito além do pouco que eu conhecia até então. Ingressei no curso pensando que existia apenas a área clínica. Mas, além dessa área clínica tradicional, o psicólogo pode exercer seu conhecimento em empresas, escolas, órgãos de justiça, hospitais, na área do esporte, instituições de acolhimento de crianças, instituições das políticas públicas (ex: SUS e CREAS) enquanto pesquisador e professor universitário, dentre outros. Assim, há uma grande variedade de opções incluindo tanto o trabalho enquanto profissional autônomo, quanto inserido numa instituição.

Com isso, fui percebendo que a Psicologia é muito mais ampla do que eu imaginava e que eu poderia trabalhar em diversos ambientes dentro daquilo que eu gostava. Também fiquei pensando o quanto é importante, na medida do possível, termos um contato prévio com a profissão que vamos escolher, seja conversando com profissionais, seja conhecendo os diferentes serviços oferecidos na nossa sociedade e também pensarmos para além das disciplinas que são postas na escola. Deixo isso como uma dica, não só para aqueles que estão em dúvida sobre este curso, mas qualquer outro que tenha em mente.

Com relação à graduação em Psicologia, existem matérias obrigatórias e optativas, que buscam abarcar a diversidade de saberes que envolvem o conhecimento da área, como por exemplo: história e as bases filosóficas e científicas do conhecimento da Psicologia, anatomia, fisiologia, psicopatologia, psicologia do desenvolvimento humano, políticas públicas, psicologia social, técnicas psicoterapêuticas e muitas outras. Além disso, muitas Universidades possuem Clínicas-escola onde os alunos podem aplicar seus conhecimentos na prática durantes os estágios profissionalizantes.

Acredito que esse é um dos momentos mais importantes do aprendizado na Universidade, pois pode-se vivenciar concretamente tudo que foi estudado até então. Em um certo momento do percurso, muitos cursos acabam se dividindo em ênfases, oferecendo ao aluno a possibilidade de direcionar seus estudos para uma ou mais áreas que se identifique mais, no meu caso, o curso era divido em três ênfases: Psicologia Organizacional, Psicologia Escolar e Psicologia Clínica e Social. E para aqueles que estão fugindo das exatas, existe uma (ou em alguns casos, duas) disciplina de estatística, mas não se assuste, não é um bicho de sete cabeças – acho que essa disciplina está presente em quase todos os cursos de humanas, então não dá pra fugir das exatas para sempre.

A Psicologia não é somente uma área do conhecimento ampla quando se fala em conjunto de saberes e possibilidades, mas também em seus próprios paradigmas, ou abordagens, que são metodologias de trabalho com correntes de pensamento diferentes como a Psicologia humanista, a Psicanálise e a Psicologia Cognitivo-comportamental, que são as três principais que vemos na Universidade, mas existem ainda muitas outras, sendo subdivisões destas ou até mesmo outras bem diferentes. Sendo assim o estudante pode seguir a corrente com a qual mais se identificar para basear suas práticas.

Enquanto estudantes de Psicologia podemos nos deparar com algumas dificuldades, que estão relacionadas ao stress proveniente do próprio ambiente universitário (presente em qualquer curso) e no caso específico da área, relacionadas ao fato de que estamos lidando com pessoas e entrando em contato com conteúdos muito íntimos que podem muitas vezes nos afetar, por isso, é sempre importante buscar cuidados terapêuticos e cuidar da própria saúde. A psicoterapia não é obrigatória para estudantes de Psicologia, mas é altamente recomendada, porém, às vezes é colocada como um pré-requisito por alguns professores para o ingresso em estágios. Além disso, é um curso que exige muita leitura, portanto, gostar de ler ajuda bastante.

Então, se você está pensando em ingressar no curso de Psicologia, é importante que você goste de estar com pessoas e queira entendê-las, de forma que isso seja parte de seu trabalho e sinta vontade de desenvolver empatia, pensamento crítico, sua sensibilidade e criatividade. Não se sinta desencorajado se achar que não possui essas qualidades, elas vão sendo trabalhadas naturalmente na medida em que o curso avança. E se você está ainda em dúvida sobre a opção de curso que fará, procure se informar e responder com calma as suas questões e também busque algo que faça sentido para você e que te faça feliz. E não sinta medo caso se arrependa da escolha, pois, o conhecimento que vamos adquirindo em nossas vidas, nunca é perdido.

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


Compartilhar

RECOMENDAMOS


Débora de Toledo Moura
Estudante de Psicologia na Universidade Federal de Uberlândia, buscando se encontrar num infinito de possibilidades.

COMENTÁRIOS