Se há algo que o mundo precisa é empatia mais compassiva. Falamos dessa dimensão onde não ficamos sozinhos com o sentimento que compreende, a emoção que conecta e o coração capaz de ser movido. Referimo-nos à ação de quem se compromete e decide ajudar, que se atreve a mudar a realidade do outro para conferir apoio, carinho e autêntico bem-estar.

Lewis Carroll disse que um dos segredos desta vida é entender que estamos neste mundo por algo mais do que existente. O ser humano está aqui também para ajudar, para que cada um de sua trama e disposição particulares faça dessa realidade um lugar um pouco mais nobre, um pouco mais belo. No entanto, vamos encarar, às vezes custa.

E custa, porque muitos de nós são deixados sozinhos na intenção e no sentimento, mas não no ato. Por meio de nossas redes sociais, por exemplo, obtemos um número infindável de iniciativas que suportamos com um único clique, compartilhando ou registrando nossos dados em determinadas campanhas sociais. Somos muito sensíveis aos infinitos problemas da nossa sociedade. No entanto, às vezes, não vemos o que temos mais perto.

Empatia compassiva significa ser capaz de dar ajuda útil àqueles que estão próximos a nós. No entanto, nem sempre conseguimos ver esse amigo, esse membro da família ou colega de trabalho que precisaria de suporte ativo em um determinado momento. Ainda mais, podemos ver, é verdade, mas às vezes, não sabemos muito bem como agir.

O terceiro tipo de empatia, o mais útil

A empatia compassiva foi definida pelo psicólogo e especialista em emoções Paul Ekman. Essa ideia também serviu a Daniel Goleman para delinear o conhecido coeficiente emocional, isto é, aquela dimensão que nos ajudaria a esclarecer nosso nível de inteligência emocional.

É importante, portanto, ter em mente que a empatia não é uma dimensão unitária, não é um conceito plano em que nos limitamos a entender que a pessoa empática é aquela capaz de compreender a realidade emocional da pessoa diante deles.

É, antes, um fator mais amplo e mais rico, em que nem todos conseguiríamos uma pontuação alta sem passar por um teste para medir nossa competência emocional.

Como é a pessoa com empatia compassiva?

A pessoa com empatia compassiva dá um passo adiante em seu crescimento pessoal. Ele é alguém que consegue aperfeiçoar o campo das relações humanas. A razão disso é assim, parte das seguintes características:

Pessoas focadas que sabem responder a cada situação

Treinar e capacitar nossa empatia nos permitirá, acima de tudo, agir sempre a meio caminho entre razão e emoção. Essa dimensão nos ajuda a calibrar cada situação a partir de uma perspectiva muito focada, onde não podemos nos deixar levar pelo contágio emocional ou por essa lógica objetiva que entende as coisas mas nunca age.

Deste modo, a pessoa “empática compassiva” sabe ajudar em cada momento, facilitando o apoio mais apropriado em cada circunstância.

Competências em reciprocidade

Os relacionamentos bem sucedidos e os elos mais significativos são sempre baseados no princípio da reciprocidade. É um que você me dá eu te contanto, é saber responder e responder sentindo por sua vez, merecendo o mesmo que oferecemos. Portanto, a empatia compassiva é um princípio básico do bem-estar pessoal, porque não se baseia em saber como ajudar os outros. Nós também podemos e devemos receber apoio.

Eles conhecem as chaves da conexão humana

A conexão humana faz parte da essência da empatia compassiva. É saber alcançar a pessoa com autenticidade, entendendo sua realidade única, aceitando-a sem preconceitos, sem vieses, sem intenções duplas. A conexão iniciada a partir do respeito e apreciação ao outro também nos permite entender as necessidades e esclarecer o que podemos fazer.

Além disso, e não menos importante, quem é habilidoso em empatia compassiva não se limita a ajudar como se ele fosse um salvador. Na verdade, saber como dar apoio é uma arte. Você precisa saber o que oferecer e como, porque às vezes o que uma pessoa precisa nem sempre é o que ela nos pede, e isso é importante levar em conta.

Para concluir, o mestre zen Thich Nhat Hanh apontou que quando damos nossa presença e atenção total aos outros, eles florescem como flores. É verdade, no entanto, às vezes algo mais é necessário: que nos mobilizemos, que saibamos como agir com sucesso.

Escrito por Valeria Sabater para o site lamenteesmaravillosa e adaptado e traduzido por A Soma de Todos os Afetos
Foto por Gui Vergouwen de Pexels

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*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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