Quando alguém diz “meu chefe é um psicopata”, quase sempre é força de expressão. Na psicologia, porém, o termo tem um sentido bem específico: fala de traços (como frieza emocional, manipulação, impulsividade e ausência de culpa) que podem aparecer em diferentes intensidades — e que não equivalem automaticamente a crime ou a violência.
Kevin Dutton, psicólogo e autor de The Wisdom of Psychopaths, popularizou uma lista de carreiras em que esses traços tenderiam a aparecer com mais frequência, justamente porque algumas rotinas de trabalho “premiam” sangue-frio, tomada de decisão rápida e tolerância a pressão.
Antes do ranking, vale um alerta simples: isso não é diagnóstico. Ninguém “vira psicopata” por causa da profissão, e a maior parte das pessoas nessas áreas está longe de se encaixar em um quadro clínico.

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A ideia é outra: ambientes com poder, negociação agressiva, visibilidade e risco podem atrair (ou favorecer) pessoas com certos traços de personalidade.
O próprio Dutton enfatiza o conceito de “psicopatas funcionais” — gente que pode até ser charmosa e eficiente, mas também tende a usar os outros como ferramenta.
Em ambientes corporativos, isso às vezes passa por competência: autoconfiança pode parecer liderança; conversa convincente pode parecer carisma.
O problema é que, segundo análises sobre “psicopatia corporativa”, esse perfil também pode derrubar equipes, corroer confiança e abrir espaço para fraudes.
A seguir, o ranking mais repetido nas publicações que citam o trabalho de Dutton, do 10º ao 1º lugar:
- CEO (presidente/executivo de alto escalão)
- Advogado
- Mídia (TV/rádio, apresentadores e afins)
- Vendas (vendedor/comercial)
- Cirurgião
- Jornalista
- Policial
- Clero (líderes religiosos)
- Chef de cozinha
- Servidor público

O “porquê” costuma seguir um padrão: cargos no topo (como CEO e advocacia) envolvem decisões com impacto real na vida de outras pessoas, disputa por espaço e necessidade de manter firmeza mesmo quando alguém sai perdendo.
Já áreas como vendas e mídia tendem a exigir persuasão, leitura rápida do outro e, muitas vezes, lidar bem com rejeição e pressão por resultado.
Nas posições ligadas a crise e risco (cirurgia e polícia), o argumento é que o trabalho pede controle emocional e ação sob estresse, algo que pode combinar com perfis menos sensíveis ao medo.

Dutton também comenta “cozinha” e “serviço público” como ambientes que podem ser caóticos, cheios de cobrança e com regras rígidas, onde algumas pessoas com baixa reatividade emocional acabam se adaptando bem.
Se essa lista viraliza tanto, é porque dá um rótulo fácil para experiências reais de trabalho com gente difícil. Mas rótulo fácil costuma errar o alvo: traços parecidos podem aparecer por vários motivos, e “personalidade complicada” não é sinônimo de psicopatia.

A utilidade prática aqui é outra: entender que poder e pressão podem criar espaço para perfis manipuladores brilharem — e que, por isso, organizações sérias colocam limites, auditoria e cultura de responsabilização para reduzir dano.
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