Tem romance que não te ganha com frases prontas nem com “declaração em público”. “Pavana”, do diretor Lee Jong-pil, foi subindo no interesse do público e hoje aparece entre os 10 títulos mais vistos na Netflix — e faz isso apostando numa situação bem pé no chão: o que acontece quando gostar de alguém vira um risco social, não só um risco emocional.
Ko Ah-sung interpreta Mi Jung, funcionária de loja de departamentos que cumpre expediente, segura as pontas e tenta existir sem chamar atenção.
Só que, fora do trabalho, ela vive a sensação incômoda de estar sempre na beira do grupo — aquela pessoa que ninguém exclui oficialmente, mas que também ninguém puxa pra perto.

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A personagem é construída em detalhes: a forma como ela mede as palavras, como recua antes de ocupar espaço, como observa os outros decidindo por ela sem perceber.
Do outro lado está Gyeong Rok (Moon Sang-min), o tipo de garoto que circula fácil, é chamado pelo nome, tem lugar reservado na roda.
O ponto interessante é que o filme não trata isso como “privilégio mágico”: essa aceitação tem custo. Ele mantém a própria imagem o tempo todo, e cada escolha vira uma negociação silenciosa com o grupo.

Quando ele se aproxima de Mi Jung, o clima muda rapidamente — porque, naquele ambiente, estar ao lado de alguém também comunica status.
E aí entra Byun Yo-han como a terceira peça que bagunça o tabuleiro. O personagem dele percebe o que está acontecendo antes mesmo dos dois se darem conta do tamanho do problema, e começa a cutucar: uma ironia aqui, uma intervenção ali, uma presença estratégica nos momentos certos.
Não é o “vilão de manual”; é alguém disputando espaço e controle, fazendo a tensão crescer sem precisar levantar a voz.

A direção do Lee Jong-pil mantém a história amarrada em ações pequenas que, ali, valem muito: quem senta junto, quem aparece no mesmo corredor, quem finge que não viu.
A câmera fica perto dos rostos e das reações, deixando os silêncios mais desconfortáveis do que qualquer discussão.
O romance se forma sob olhar alheio — e isso muda tudo, porque ninguém tem liberdade total quando todo mundo está medindo o que você faz.
No fim das contas, “Pavana” funciona justamente por não romantizar a ideia de “seguir o coração” como se fosse simples: Mi Jung quer ser escolhida, mas também quer ser tratada com respeito; Gyeong Rok quer se envolver, mas teme perder o lugar que sempre teve; e o terceiro elemento faz questão de colocar essa conta na mesa, obrigando os dois a se posicionarem.
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