Uma das decisões mais difíceis que os pais enfrentam, após anos de criação intensiva e dependência absoluta, é permitir que os filho comecem a voar sozinhos. Quando, como e onde fazê-lo da maneira mais segura possível, sabendo desde o início que nem todas as crianças da mesma idade estão preparadas e que dependerão não só de sua maturidade e da autonomia adquirida, mas também de outros fatores, como ambiente físico e a rede de suporte que temos.

O importante é não deixar que os medos nos levem a superproteger a criança, como diz o Dr. Jesús Paños, psicólogo infantil do Hospital San Rafael, em Madri: “É possível que algumas famílias superprotejam para evitar riscos potenciais”.

Para Panos, não é aconselhável deixar crianças saírem antes dos 12 anos, sem preparação prévia, pois elas têm limitações na capacidade de atenção, raciocínio e orientação: “Elas não estão preparadas para avaliar possíveis situações de perigo.” Saber quando fazê-lo depende do ambiente físico (dos lugares que vão viajar, da distância, da iluminação, da presença de outras pessoas, da intensidade do tráfego, etc.) e do seu grau de maturidade.



“Muitos pais pensam erroneamente que seus filhos estão preparados para alguma coisa em uma certa idade, mesmo que não tenham sido treinados antes. Mas se nossos filhos foram preparados, a idade não é mais um fator determinante “.

Facilitar que nossos filhos adquiram a autonomia e a maturidade necessárias para se locomoverem sozinhos com segurança é uma tarefa que exige tempo e dedicação dos pais. “A educação não significa apenas cuidar das necessidades básicas de nossos filhos, temos que ajudá-los a treinar habilidades e desenvolver certas habilidades”, diz Paños.

E faça-o desde pequeno e progressivamente, para que eles saibam enfrentar novas situações, raciocinar e encontrar soluções. Tarefas como organizar seu quarto, arrumar a mesa, ou ficar sozinho por breves períodos de tempo ajudam você a perceber sua autonomia e seu valor, porque a autonomia e a auto-estima andam de mãos dadas.

“Muitas vezes vejo que algo  básico  não foi treinado em algumas crianças; tudo é feito pelos pais e mães ou pelo cuidador “. Para Bisquerra, é necessário “educar num equilíbrio difícil entre a consciência dos riscos e o desenvolvimento da autonomia pessoal. O importante não é tanto se saem sozinhos aos dois, aos quatro ou dez anos, mas quando chegam à adolescência estão realmente preparados para sair sozinhos ou em grupo, adotando um comportamento cívico e responsável, evitando comportamentos de risco (violência , vandalismo, uso de substâncias, etc.) e não confundir bravura com imprudência.”

Aprender a ser autônomo em um lugar seguro como a nossa casa nos permite progredir no exterior; primeiro em um ambiente próximo (mandando-o para tirar o lixo, ir buscar pão ou procurar algo na casa de um vizinho, etc.) e depois em viagens mais distantes.

Algumas dicas que podemos seguir são:

  • Ofereça informações adaptadas à idade sobre os riscos e perigos que pretendemos evitar. Ensine-os a olhar antes de atravessar, a encontrar o lugar mais seguro, a usar um capacete se andarmos de bicicleta, como reencontrar o caminho de casa… É essencial que eles saibam o significado dos sinais de trânsito, as rotas mais seguras e as razões para isso.
  • Eduque-os seguindo as instruções e preparando-se para situações. Ensine-os a evitar pessoas suspeitas ou desconhecidas e comportamentos de risco.
  • Não os sobrecarregue com muitos avisos de perigo se eles não forem acompanhados por comportamentos de prevenção. Não é bom assustá-los sem oferecer recursos, porque isso gera insegurança.
  • Quando chegarem a um lugar novo e desconhecido, combine com eles onde te encontrar se vocês se perderem e se certifiquem de que saibam escrever seu número de telefone e nome em um papel. Se eles tiverem mais de seis anos, deixe-os memorizá-lo.

Imagem de capa: Tong Nguyen van on Unsplash

ESTE É UM TEXTO TRADUZIDO E ADAPTADO DO EL PAÍS ESPAÑA

Precisa de ajuda? Conheça a nossa orientação psicológica.


*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


Compartilhar

RECOMENDAMOS


REDAÇÃO PSICOLOGIAS DO BRASIL
Os assuntos mais importantes da área- e que estão em destaque no mundo- são a base do conteúdo desenvolvido especialmente para nossos leitores.

COMENTÁRIOS