Nossas memórias têm um papel fundamental em nossa vida, uma vez que as lembranças são capazes de nos acalentar, de nos acalmar, trazendo-nos conforto, ao nos transportar junto às pessoas e aos instantes em que a felicidade estava presente. Nos momentos de dor e desalento, rememorarmos sensações de paz e de sorrisos sinceros nos ajuda a atravessar a escuridão com esperanças fortalecidas.

Embora costumemos guardar aqui dentro más recordações, palavras ríspidas que nos dirigiram, comportamentos dolorosos que tiveram conosco, lágrimas que escorreram em determinadas ocasiões, aumentar o espaço das lembranças gostosas, capazes de nos fazer sorrir de novo, fará toda a diferença, cada vez que a vida disser não. Quanto mais enchermos nossos corações de positividade, mais forte ele se torna e cada vez mais imune à demora na dor.

Hoje, principalmente, parece que existe informação demais para ser guardada, haja vista a imensa variedade de assuntos que estão dispostos a qualquer um que tenha acesso à internet. Senhas, compromissos, matérias para a prova, datas de aniversários, contatos, é tanta coisa, tantos dados, que, sem a memória virtual do computador e do celular, ficaríamos perdidos. Nesse contexto, a memória como que vai se tornando meramente estatística, isentando-se de afetividade, uma vez que dados não aguçam os nossos sentidos.

O armazenamento de conteúdo, portanto, não pode achatar, num cantinho ínfimo de nossas lembranças, as memórias relacionadas à forma como nos sentimos em determinadas épocas, junto a certas pessoas, pois somos humanos e necessitamos de alimento afetivo também. O que nos ajudará a não desistir, a não sucumbir frente aos tombos da vida será exatamente aquilo que guardamos em nossas almas, aquilo que tocou os nossos corações.

Dados, números, idéias, tudo isso poderemos obter, recorrendo a pesquisas pela internet ou procurando nas agendas que acumulamos nas gavetas, no entanto, os sentimentos mais especiais e únicos, que preencheram nosso viver, somente estarão disponíveis, caso estejam impressos em nossa alma, enquanto os carregamos dentro de nós. A gente esquece o que já leu, estudou, viu ou ouviu, mas a gente não se esquece jamais daquilo que sentimos, do que nos fizeram sentir, ou seja, mesmo que o cérebro falhe, nosso coração sempre baterá mais forte com o que ficou junto à nossa essência, com verdade e amor sincero.

Foto de Alex Bocharov em Unsplash

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Marcel Camargo
"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".