Em “Ruído Branco”, a vida certinha vira um teatro frágil no instante em que a morte deixa de ser assunto “de aula” e passa a bater na porta. J
ack Gladney (Adam Driver) é o típico professor que domina conceitos, cita autores, faz discursos impecáveis — só que esse controle desaba quando ele precisa lidar com medo de verdade, fora do campus.
Em casa, ele tenta sustentar uma rotina de família grande, com tarefas, horários e uma sensação de ordem que parece mais um truque para manter todo mundo funcionando.

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Babette (Greta Gerwig) é quem segura o cotidiano com as mãos, mesmo quando dá pra sentir que ela está pagando caro por isso.
Ela cuida dos filhos, organiza a casa, encaixa as peças do dia… e, por baixo dessa calma, existe um pânico que aparece nas escolhas pequenas, nas decisões aparentemente inocentes, no jeito de evitar certos assuntos.
O casal não “explode” por uma revelação chocante: o desgaste vem de insistir numa normalidade que já está falhando há tempos.
O diretor Noah Baumbach filma o desconforto como algo que cresce no meio da banalidade: avisos mal explicados, informações que mudam, conversas que ninguém termina, gente tentando parecer tranquila enquanto tudo fica mais estranho.

A tensão nasce desse ruído constante — um clima em que ninguém sabe ao certo o que fazer, mas todo mundo finge que sabe.
Nesse cenário entra Murray Siskind (Don Cheadle), colega de Jack, com um papel quase irritante de tão direto. Ele cutuca as contradições do protagonista, faz perguntas que doem e derruba a pose acadêmica com comentários afiados.
Cheadle traz humor e clareza sem transformar o personagem em “piadista” da história: ele é engraçado justamente por falar o que os outros estão tentando esconder.

A graça do filme é seca, às vezes desconfortável, porque vem do choque entre discurso e realidade. Jack insiste em parecer superior e seguro quando já deu pra perceber que ninguém está no comando.
Adam Driver aproveita isso muito bem: ele alterna arrogância, fragilidade e desespero de um jeito natural, como alguém que está tentando manter a máscara no rosto enquanto tudo ao redor perde o sentido.
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