Moço, eu não quero te dar lição de moral, não é esse o meu objetivo, eu só quero sensibilizá-lo sobre essa questão. Quero, aqui, ser a porta-voz do(s) seu(s) filhos que estão em silêncio em algum lugar enquanto você lê esse texto. Quero que saiba que eles sofrem com a sua ausência, sim, eles sangram por dentro. Eles até fingem não se importar com a sua indiferença, mas eles choram em silêncio. Eles se ferem a cada vez que ouve o coleguinha se referir ao pai de forma afetuosa.

O seu filho, se for criança, sente-se constrangido e diminuído ao se dar conta de que ele é um dos poucos ou o único da sala que nunca teve o pai numa reunião escolar. Ele já te imaginou jogando bola com ele ou assistindo a um filme esparramados num tapete num domingo à tarde. Por mais incrível que seja a mãe dele ou o padrasto, ele nunca vai deixar de idealizar como seria ter um pai biológico presente.

Seu filho adulto sente vergonha de apresentar os documentos apenas com o nome da mãe, isso é ter a sua rejeição documentada, oficializada para o mundo tomar conhecimento. Quem sabe, seu filho já seja um homem feito ou uma mulher bem sucedida, nada importa, a lacuna que você deixou nada vai preencher. Digo mais, essa dor é agravada quando ele toma conhecimento do quanto você é amoroso com os filhos que vieram depois dele, quem sabe de um outro relacionamento. Sim, ele finge não se importar, mas chora sozinho, chora de raiva, chora de dor, chora de revolta, chora porque o abandono doi tanto quanto uma dor física.

Talvez você conheça essa dor, pode ser que você também tenha tido pai ausente, e, ao invés de fazer diferente, repetiu a dose com o seu filho, seria uma forma inconsciente de se vingar? Se você apenas paga pensão, por mais gorda que seja, não se iluda, seu dinheiro não substitui a sua presença, seu provimento material não atenua a dor que a sua indiferença causa.

Eu juro por Deus, eu só queria que esse texto tivesse o poder de tocar o seu coração. Eu queria que você procurasse o seu filho ou filhos e tentasse reverter esse quadro. Deixe de lado qualquer sentimento que dificulte isso. O seu amor será bem vindo, mesmo que o seu filho já tenha cabelos brancos. O afeto sempre será bem vindo, mesmo que cause uma certa estranheza no começo, mas ele se ajeita e ilumina aqueles cômodos da alma que estavam escuros e sombrios. Detalhe: ilumina a alma de quem oferece e de quem recebe. Moço, por favor, pense no seu filho, ainda dá tempo.

Imagem de capa:Radharani/shutterstock

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*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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Ivonete Rosa
Sou uma mulher apaixonada por tudo o que seja relacionado ao universo da literatura, poesia e psicologia. Escrevo por qualquer motivo: amor, tristeza, entusiasmo, tédio etc. A escrita é minha porta voz mais fiel.