Perguntar é a melhor forma para saber o que está acontecendo com alguém, afirmam pesquisadores de universidades israelenses e norte-americanas que estudaram diferentes abordagens da empatia.

“Nós erroneamente presumimos que se colocar no lugar de outra pessoa irá nos ajudar a entender e a melhorar as nossas relações interpessoais”, afirma o estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology, periódico da Associação Americana de Psicologia. “Se você quer um entendimento do que alguém está pensando ou sentido, não faça suposições, pergunte.”

A recomendação do novo estudo diverge de uma abordagem consolidada desde a década de 1930, com o lançamento do best-seller Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, escrita pelo orador Dale Carnegie.

Na obra canônica, Carnegie defende que é possível compreender os pensamentos, sentimentos e atitudes de outra pessoa através de “insights” interpessoais e intuição. O estudo recente rebate essa abordagem e mostra, sem a conversação, ela é insuficiente.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores realizaram uma série de 25 experimentos onde os voluntários deveriam descobrir o que uma outra pessoa sentia ou pensava com base nas expressões faciais e postura corporal dela. Entre outros desafios, os participantes tinham que identificar risos falsos de espontâneos, dizer quando alguém estava mentindo ou dizendo a verdade e até adivinhar quais eram as preferências conjugais e de consumo do outro.

“Inicialmente, a maioria dos participantes acreditavam que se colocar no lugar do outro iria ajudá-los a alcançar uma maior compreensão interpessoal”, diz o estudo. “De qualquer forma, os resultados dos testes mostraram que, no geral, suas suposições não foram precisas, mesmo que elas os fizessem sentir mais confiantes sobre seus julgamentos e reduzissem o viés egocêntrico.”

Texto original de Revista Galileu

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