Não há quase um dia sequer em que não nos decepcionamos com palavras ou atitudes de alguém. Costumamos criar expectativas em relação ao mundo à nossa volta, porque sempre estaremos esperando o melhor acontecer em nossas vidas, aguardando o retorno do tanto que nos dispomos a oferecer. No entanto, nem tudo o que vai acaba voltando da forma que queríamos, simplesmente porque, sem percebermos, acabamos jogando fora, no vazio, muito do que temos.

Cada pessoa é um ser único, cada um sente o mundo de uma maneira própria, carregando valores que, não raro, chocam-se com as nossas verdades. Nem todo mundo possui o tanto que queremos, nem sempre encontraremos reciprocidade, quase ninguém pensa exatamente como nós. Por isso é que nos deparamos com tantas palavras perdidas, com compromissos quebrados, promessas esquecidas, com tanto retorno menor ou inexistente.

Quem nunca ficou triste por ter se deparado com a ingratidão de quem sempre ajudou? Quem nunca ofereceu amor inteiro e acabou sendo deixado para trás? Quem nunca teve a confiança traída por quem parecia tão digno de confiança? Pois é, isso ocorre com muita gente, exatamente porque o ser humano possui a tendência a esperar o melhor da vida, dos momentos, das pessoas. A esperança no que é bom ajuda-nos a acordar todos os dias e partir para a luta.

No entanto, sempre estaremos sujeitos a encarar o pior retornando, mesmo que tenhamos lançado o nosso melhor. Como dizem, cada um dá o que tem, inclusive tem gente que não dá nem o pouco que tem, porque nem todo mundo terá o mesmo coração que o nosso, nem todo mundo será capaz de se colocar em nosso lugar, nem todo mundo estará disposto a se doar, caso não lhe convenha. E é assim que as decepções acabam se tronando parte da vida de todo mundo.

Não tem outro jeito, a não ser se preparar para os nãos que a vida tem para dar. Portanto, não espere amor de quem tem o coração fechado. Não espere gratidão de quem só pensa em si mesmo. Não espere comprometimento de quem foge a qualquer responsabilidade. Não espere lealdade de quem não amadurece. Não espere luz de quem for escuridão.

Imagem de capa: altafulla/shutterstock

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Marcel Camargo
"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".