Vou contar um fato. Eu tinha uma amiga, a Pollyana, lá no meu ensino médio. Ela era mais velha e já tinha um filho de 4 anos, mais ou menos. Uma vez eu e poliana estávamos conversando e o filho dela disse: – Mamãe, olha ali o pássaro vermelho que canta sertanejo!

Eu ri do menino. Pensei no quanto aquele menino era doido. E ele corria para lá e para cá. Pensei no quanto alem de doido, era danado, inquieto. Até que depois dele ter dito que viu um pássaro em formato de cachorro, eu exclamei: Pollyana, que menino mentiroso!

Ela me repreendeu sem fazer muito alarde.

Passaram os anos, conheci mais sobre psicologia, literatura, cinema… E descobri que nesse dia quem não sabia de nada era eu. A realidade do filho de Pollyana era tão palpável para ele, quanto a minha é para mim.

Ou será que os diplomas das universidades, as roupas que usamos, o papel que trabalhamos dias para receber e comprar coisas (  o qual chamamos de dinheiro), não passam de “faz de contas” de adultos.

Quantas vezes  medicamos crianças para que elas se adequem a nossa forma de ver o mundo? Quantas vezes confundimos Transtorno de Defícit de Atenção com a falta de interesse das crianças nas bobagens dos adultos?

Não são poucos os filhos que realmente sofrem com déficit de atenção, porém o déficit de atenção dos pais. Que de tão atarefados não conseguem mais prestar atenção na realidade apresentada pelo universo dos filhos, que conversam com eles sem olhar nos olhos, sem interagir.

Isto significa que criança nunca pode tomar remédio? Claro que não! Se foi feito um bom diagnóstico, é evidente que a medicação irá ajudar.

Mas sabemos que a vida de uma criança não se resolve apenas com medicamentos.

Abaixo, um vídeo do Provocações com o poema de Carlos Drummond de Andrade que decifrou como não adianta tentar curar a criança de ser criança.

Imagem de capa: Shutterstock, Elena Nichizhenova

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