Por Ares Saturno no Canal Tech

Streamers e influenciadores digitais têm suas intimidades divididas com seus espectadores num fenômeno social que ainda é muito novo e não completamente compreendido. As pessoas mantêm relações de amizade e confiança com seus ídolos digitais, e muitas vezes recorrem a eles para pedir dicas de como lidar com seus desafios pessoais, ou até mesmo para receber ajuda no caso de algum mal estar psíquico.

Os próprios streamers estão sujeitos aos transtornos depressivos e ansiosos, uma vez que o feedback do público pode ser cruel ou envolver doses altas de ofensas e cyberbullying.

É com o intuito de diminuir o sofrimento mental de streamers e ensiná-los como lidar com as demandas emocionais de seus espectadores que foi criada a Take This, uma organização sem fins lucrativos que atua no ramo desde 2013, educando membros da indústria dos games sobre melhores práticas em relação à saúde mental.

Segundo Kate Edwards, diretora executiva da Take This, o intuito não é transformar os streamers em terapeutas, mas sim formalizar quais são as melhores formas de aconselhar espectadores que sofrem de distúrbios emocionais. “Estamos apenas tentando treiná-los para que eles saibam como lidar com o assunto”, diz ela.

O programa oferecerá aos influenciadores embaixadores uma espécie de capacitação feita por psicólogos clínicos com orientações de como abordar o assunto das doenças psíquicas com seus seguidores, fazendo com que o apoio dado pelos streamers seja mais eficiente.

O programa não vai focar apenas em capacitar os influenciadores virtuais a lidar melhor com o sofrimento narrado por seu público, mas também a cuidar de sua própria saúde mental: “Se você é constantemente atacado on-line e começa a se enfraquecer com esse tipo de feedback, ou não tem uma boa maneira de lidar com isso, corre o risco de perder sua empatia. Você fica impassível porque tem que ser – como um mecanismo de sobrevivência ”, explicou Edwards.

Imagem de capa: Por Jacob Lund na Shutterstock

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