Sabe aquele filme que parece discreto no catálogo, mas te pega pela mão logo nos primeiros minutos? “Um Homem Abandonado” é desse tipo.
Em 1h31, ele entrega um drama seco, direto e cheio de subtexto — sem apelar pra trilha “mandando você sentir”, e sem diálogos explicando tudo mastigadinho. (E sim: é produção turca da Netflix, lançada em 22 de agosto de 2025.)
A história gira em torno de Baran (Mert Ramazan Demir), um rapaz que sai da prisão carregando uma culpa que não cabe no peito: ele pagou por um crime que, na verdade, foi do próprio irmão.

O retorno não vem com abraço de “final feliz”. Vem com olhares atravessados, portas meio fechadas e aquele desconforto de quem voltou, mas não foi realmente recebido.
Só que o roteiro não fica preso na tragédia por tragédia. A virada emocional aparece quando Baran se vê responsável pela sobrinha Lidya (Ada Erma), e aí o filme muda de temperatura: entra uma convivência que obriga o personagem a funcionar no dia a dia — dar conta de rotina, de proteção, de presença — mesmo sem ter certeza se ele ainda sabe ser alguém “inteiro”.

O mérito aqui está no jeito como a direção do Çağrı Vila Lostuvalı filma tudo com sobriedade: cenas que seguram a câmera tempo suficiente pra você notar o peso no corpo do protagonista, e um clima mais urbano, meio áspero, que combina com a volta dele ao mundo “normal”.
É um drama de culpa, família e estigma, daqueles que deixam a gente pensando em como certas escolhas (ou certos sacrifícios) cobram juros por anos.

No elenco, o filme acerta justamente por não exagerar. Mert Ramazan Demir trabalha na contenção (muita coisa acontece no olhar e na pausa), e a Ada Erma funciona como contraponto: onde ele trava, ela puxa a cena pra vida real.
Se você gosta de filme que rende conversa depois — daqueles bons pra indicar no grupo e já deixar o link separado pra compartilhar — ele é uma ótima pedida.
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