Quando a declaração vira polêmica: Famosos que se assumiram bissexuais (e uma que voltou atrás)

Quando uma pessoa famosa fala sobre bissexualidade, o assunto costuma sair do “fofocômetro” e cair direto num lugar mais espinhoso: gente querendo enquadrar, exigir prova, cobrar coerência eterna ou reduzir tudo a fase.

E aí aparece um detalhe que muita gente ignora: para pessoas bi, a parte mais cansativa nem sempre é “se assumir” — é lidar com a dúvida alheia como se a própria vida precisasse de carimbo.

No Brasil, várias figuras públicas já contaram abertamente que se relacionam (ou já se relacionaram) com homens e mulheres.

Algumas falas vieram com leveza, outras com desabafo, e várias tocaram num ponto bem específico: a bifobia e o apagamento que acontecem tanto fora quanto dentro da comunidade LGBTQIA+.

Abaixo, uma seleção de nomes que já falaram sobre isso — e, no fim, uma cantora que disse que hoje não se identifica mais como bissexual.

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Deborah Secco

Lá em 2022, ela contou que viveu um relacionamento com uma mulher e deixou claro como essa experiência mexeu com regras internas que muita gente aprende sem perceber: expectativas sociais, “roteiro” de vida pronto e aquela ideia de que existe um jeito “certo” de amar.

O destaque da fala dela foi justamente esse: quando você se permite sentir, o moralismo alheio começa a perder autoridade.

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Jão

Em 2021, ele falou de um jeito bem direto: quem acompanha sua música já tinha pistas suficientes.

Ele citou que já namorou meninos e meninas e tratou isso como parte da história dele — sem discurso montado, sem ar de confissão. Para muita gente, esse tipo de naturalidade diz mais do que uma declaração dramática.

Débora Nascimento

No “Domingão com Huck”, em 29 de junho de 2025, ela soltou a frase que virou manchete: “mulher bi”, dita com emoção, no contexto do mês do orgulho.

Depois, comentou que não entendia o espanto porque, para ela, nunca foi algo escondido.

A reação do público foi um lembrete bem real: ainda tem muita gente que acha “surpresa” só porque a pessoa não performava o estereótipo esperado.

Pedro Sampaio

Ele escolheu um palco gigante para falar — no Lollapalooza — e explicou o motivo com todas as letras: a bissexualidade costuma ser tratada com agressividade, piada pronta e desinformação.

O ponto dele foi sobre visibilidade: quando alguém se posiciona publicamente, ajuda a quebrar o ciclo do “ninguém é” (quando, na verdade, muita gente é, só que é empurrada para o silêncio).

Samara Felippo

Ao divulgar o livro Mulheres que Habitam em Mim (2022), ela descreveu um processo longo de aceitação, marcado por culpa e autonegação.

O que chama atenção no relato é a honestidade sobre o tempo que levou: não foi “um dia eu acordei e pronto”; foi um caminho de se autorizar a sentir sem se punir por isso.

Jesuíta Barbosa

Ele já comentou sobre desejo e identidade evitando rótulos fixos. Em 2019, no “Conversa com Bial”, falou de um jeito provocativo sobre ser “bem viado”; depois, em 2021, disse à GQ que a sexualidade pode mudar com fases da vida.

O que ele coloca em evidência é um ponto delicado: nem todo mundo vive a própria orientação como um bloco imutável, e isso não dá direito a ninguém invalidar a pessoa.

Alice Carvalho

Num papo sobre relacionamentos no “Papo de Segunda”, em 2025, ela trouxe uma cena bem cotidiana: o medo de conversar com os avós, mesmo quando “todo mundo já sabe”.

A frase dela bate porque é comum: às vezes, o armário não é um lugar de esconder, é um lugar de falta de linguagem — você sente, vive, mas trava na hora de nomear para quem importa.

Richarlyson

Em 2022, ele falou abertamente que já se relacionou com homens e mulheres e cutucou o sensacionalismo em torno da vida íntima, especialmente no futebol.

Também antecipou a reação previsível (manchete, meme, “nossa, nem imaginava”) e devolveu com o básico: ele é uma pessoa com desejos, ponto. O peso aqui é cultural: no esporte, a cobrança por “masculinidade” ainda vira controle de narrativa.

Roberta Miranda

Ao tornar público um relacionamento e reafirmar ser bi, ela juntou duas coisas na mesma fala: autonomia (“a vida é minha”) e crítica à hipocrisia nos bastidores do sertanejo.

Sem citar nomes, comentou sobre artistas que performam uma imagem para manter mercado e fã-clube. O tom foi de enfrentamento — menos “explicação” e mais “cansei de ouvir gracinha”.

Rodrigo Simas

Ele trouxe uma confissão que muita gente bi reconhece: demorou a entender porque não via a bissexualidade como algo “permitido”.

E fez questão de bater numa tecla bem específica: não tem a ver com indecisão, tem a ver com orientação. Quando um famoso fala isso com clareza, ajuda a cortar um dos preconceitos mais repetidos sobre pessoas bi.

Camila Pitanga

Ela relembrou no “Roda Viva” (TV Cultura), em fevereiro de 2025, como foi assumir um namoro com uma mulher em 2019 e como isso reacendeu discussões sobre sua bissexualidade.

A fala dela foi sobre liberdade corporal e sobre o incômodo alheio — aquele conservadorismo que tenta mandar até no desejo do outro.

Ela também mencionou fases públicas da vida amorosa: o namoro com Beatriz Coelho e, depois, o relacionamento com Patrick Pessoa.

Matheus Nachtergaele

Em 2014, ele disse ser bissexual e, mais tarde, comentou o desconforto de se encaixar em “prateleiras”.

O que fica do posicionamento dele é a crítica ao impulso de catalogar pessoas como se rótulo fosse destino. Pode soar filosófico, mas tem efeito prático: menos cobrança por coerência perfeita, mais respeito pela complexidade.

Bianca Andrade (Boca Rosa)

Em 2022, ela contou que se entendia como bissexual até compreender melhor a pansexualidade — e explicou a diferença pelo que faz sentido para ela: conexão com pessoas, não com gênero.

No meio disso, desabafou sobre ataques comuns (“bi de festinha” etc.), que mostram como o preconceito às vezes vem disfarçado de “opinião”.

Luísa Sonza

Em 2021, ela se declarou bissexual e falou que sente atração por homens e mulheres desde criança.

O assunto ganhou força na época do clipe “Tentação”, em que ela aparece em clima de romance com Carol Biazin, e depois ela reafirmou nas redes de forma objetiva. Aqui, o ponto é simples: ela escolheu não tratar como tabu e bancou o assunto sem pedir licença.

Fernanda Souza

Quando assumiu o relacionamento com Eduarda Porto, em 2022, ela falou pela primeira vez sobre ser bissexual e descreveu o processo como autoconhecimento e acolhimento.

A mensagem dela foi menos “anúncio” e mais reflexão: descobrir coisas sobre si pode ser transformador, mas também exige gentileza consigo.

Kéfera Buchmann

Em 2024, ela falou de um jeito bem do dela, com humor e crítica, incluindo comentários sobre homens e a experiência de mulheres hétero.

Mesmo com tom de piada, a fala teve um efeito: normalizar o tema sem cerimônia, sem tratar orientação como algo que precisa ser explicado com termos difíceis.

Sidney Magal

No “Roda Viva”, em 2024, ele disse ser bissexual aos 73 anos e comentou sobre desejo, direito ao prazer e lembranças anteriores à fama.

O detalhe que gerou debate foi ele afirmar isso mesmo dizendo não ter “experimentado” relações bissexuais — o que abre uma conversa importante: identidade e desejo nem sempre se resumem a histórico público de relacionamentos.

Luiza Possi (a que voltou atrás)

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Em conversa no podcast Desculpincomodar, ela afirmou que já foi bissexual, mas que hoje não se identifica mais assim.

Contou que se permitiu experimentar quando era mais jovem e comentou também sobre o impacto social quando alguém se aproxima da igreja, dizendo que amigos LGBTQIA+ às vezes se sentem excluídos por associarem religião a rejeição.

O que marcou foi o “reposicionamento”: ela tratou como algo que fez parte da vida, mas que, no presente, não representa mais como ela se entende.

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