Desde pequenos nós somos expostos a experiências e hábitos de outras pessoas. As crianças, atentamente, observam o comportamentos de seus pais e os reproduzem com muito mais facilidade e espontaneidade do que podemos imaginar. Elas percebem, principalmente, os comportamentos que acontecem com maior frequência. Sendo assim, se algum dos pais têm problemas com agressividade, uso inadequando de substâncias, problemas com jogos, entre tantas outras coisas, isso é o que a criança vai assimilar como modelo de comportamento, seja esse modelo positivo ou negativo.

Ou seja, se a criança observa que toda vez que seu pai fica ansioso ele serve uma dose de bebida, ela vai aprender que ansiedade de cura com bebida. Se, em outra situação, sua mãe tem um dia estressante e, para aliviar, se empanturra de doces calóricos e cheios de açúcar, ela vai entender que os doces servem como um presente compensatório, e assim por diante.

É interessante ressaltar que, a maioria dos comportamentos, quando realizado com parcimônia, não é negativo. Por exemplo, não é problemático que uma pessoa beba um “drink” aos finais de semana, mas passa a ser quando a pessoa não consegue passar um dia sem consumir álcool e a ausência da substância gera piora da ansiedade e limita atividades de lazer e até laborais.

Da mesma forma, jogar baralhos e fazer pequenas apostas online não é problemático, desde que essa atividade não cause dívidas, ou atrapalhe a rotina da pessoa.

Sempre temos que observar o comportamento analisando a maneira como cada ato reflete em outros aspectos de nossas vidas. Precisamos, também, observar se não estamos repetindo uma ação simplesmente porque ela nos é familiar.

Por exemplo, não é incomum que vejamos pessoas que são viciadas em fazer compras online. Comprar não é necessariamente problemático, mas se a pessoa faz as compras para diminuir a solidão ou apenas para sentir uma euforia momentânea, aí temos que avaliar o ato.

O adulto, sem perceber, repete aquilo que vivenciou nos primeiros anos da vida. Suas escolhas tendem a ser direcionadas aquilo que lhe é familiar, mesmo que as consequências daquela “escolha” não sejam positivas para ele. Mais um exemplo disso é o caso da jovem, filha de pai alcoolista, que se casa com um homem que tem problemas com álcool.

Sendo assim, para que saibamos diferenciar se estamos lidando com um comportamento esporádico ou de lazer, o que precisamos observar é o motivo que nos leva ao ato: estamos repetindo maus hábitos familiares e perpetuando dependências familiares que podem ter sido repetidas de geração em geração? Estamos desviando, como uma fuga, nossa atenção para hábitos que promovem ganhos secundários imediatos, mas que causam danos graves na sequência? Ou estamos apenas tendo uma atitude saudável e divertida a partir de uma brincadeira ou um leve entorpecimento?

Lembre-se que não é o ato e sim a maneira como você o executa que pode trazer problemas.

Algumas afirmações que, se respondidas positivamente, merecem a sua atenção e busca de ajuda são:

___ eu sempre bebo no final da noite porque, se não beber, eu não consigo dormir;
___ eu continuou fazendo apostas e iniciando novos jogos mesmo quando não tenho dinheiro disponível para isso;
___ quando estou triste, só consigo me sentir melhor, depois de fazer uma compra. Mesmo assim, logo em seguida, essa sensação agradável passa e sinto-me culpado (o) por comprar coisas sem necessidade ou sem ter recursos para isso;
___ Todas as vezes em que tenho um problema no trabalho ou sinto- me muito cansado (a) eu acho que mereço comer coisas muito calóricas e pouco saudáveis mesmo sabendo que já estou acima do peso e que preciso evitar esse tipo de refeição;
___ eu sempre juro que não vou “comer”, “jogar”, “beber” ou “comprar” em um determinado dia, mas não consigo me controlar e acabo sucumbindo ao meu desejo;
___ Enquanto estou com a minha família, ou durante o trabalho, não consigo parar de pensar em “comer”, “jogar”, “beber” ou “comprar”.

Se você se identifica com um ou mais itens dos descritos acima, saiba que é hora de reavaliar suas ações, procurar ajuda profissional e analisar se aquela sua atividade que parecia prazeirosa não está se tornando uma depêndencia perigosa.

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Imagem de Free-Photos por Pixabay

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