Por Felipe Germano

Coelhos não são animais lá muito paternais. Depois que os filhotes nascem, a mãe cuida dos bichinhos por menos de um mês; depois é cada um por si. E olha que eles ainda são mais sortudos que as focas. Algumas espécies, como a foca harpa, cuidam da prole por apenas 12 dias. Quando os pais vão embora, as foquinhas não sabem nem se mexer ainda: em geral, elas ficam dois meses presas na neve, sem comer, e vulneráveis a qualquer tipo de predador. Só 30% das crias sobrevivem ao primeiro ano de vida.

A vida desses bichos é complicada – e poderia ficar ainda pior, se eles tivessem consciência humana. Caso esses bichinhos funcionassem como nós, eles se sentiriam feiíssimos. Uma nova pesquisa mostra que o carinho recebido pelos pais é diretamente proporcional a quão atraente você se sente quando é adulto.

O estudo foi conduzido pela Universidade de Åbo Akademi, na Finlândia, e é baseado em respostas de mais de 1200 entrevistados. Todas as 907 mulheres e 337 homens responderam perguntas como: “Com que frequência você e sua mãe conversavam, durante sua infância? ” e “Quão por dentro seu pai estava, a respeito do tempo que você passava, e o que você fazia com seus amigos ”.

As respostas eram sempre dadas dentro de uma escala onde “Raramente/De forma nenhuma” equivaliam a zero, e “Constantemente/Bastante” significavam 100. Paralelamente, os mesmos participantes usavam a mesma escala para responder perguntas como “Comparando com pessoas do mesmo gênero que você, quão atrativo você é como parceiro? ” e “Quão atraente você é, em relação à personalidade, status e inteligência? ”.

Quando os dados foram cruzados, o resultado foi conclusivo: “Colocados juntos, os resultados mostraram uma associação direta entre o investimento emocional que os pais fizeram, e a auto avaliação da atratividade. ” Conclui Jan Antfolk, psicólogo da universidade, e responsável pelo estudo. Os pesquisadores acreditam que as causas para isso podem variar, mas apostam que o carinho familiar pode ajudar, por exemplo, na saúde mental dos indivíduos – o que aumentaria a autoestima do participante.

Outra possibilidade é que, durante essa atenção extra na infância, os pais transmitiam valores para seus filhos, desde valorização de si próprio até a como tratar com respeito um parceiro – o que ajudaria a longo prazo as relações e as percepções de mundo dos participantes.

O estudo ainda apontou que há uma diferença entre a atenção dada por pais e a dada pelas mães. O investimento emocional feito pela mãe tinha uma relação direta com a auto avaliação dos participantes – já o carinho paterno só apresentava efeito quando a mãe também estava presente.

Os próprios pesquisadores admitem que é difícil confirmar essa relação de causa e efeito, por conta do tempo que separa a infância da fase em que alguém começa a se considerar, de fato, um par romântico/sexual, e também por que o estudo ignora a genética dos voluntários. De qualquer forma, não faz mal prestar atenção nos seus filhotes.

Imagem de capa: Shutterstock/Tania Kolinko

TEXTO ORIGINAL DE REVISTA SUPERINTERESSANTE

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