Por Aline Dini para a Revista Crescer

Quem, diante de um bebê a caminho, nunca pensou: “que tipo de mãe/pai serei?”. Foi para conversar sobre isso que uma das mesas de conversas do “Tá na Hora”, evento para pais e mães grávidos realizado pela Crescer na Unibes Cultural, reuniu convidados como a psicanalista Vera Iacara Iaconelli, jornalista Rita Lisauskas, a influencer Mariana Uhlmann e o Bruno Mascarenhas, do coletivo Balaio de Pais.

A psicanalista Vera Iaconelli, diretora do Instituto Gerar (SP) abriu a mesa dizendo que o tipo de mãe ou pai que seremos dependerá de que filhos teremos. De acordo com a especialista o mais nocivo é o autojulgamento, quando você tem aquele chicote para si mesmo e determina coisas antes mesmo do seu filho nascer. “Você diz que nunca vai gritar com os filhos, mas num belo dia se pega aos berros com eles. Então, aquilo que projetei, é diferente do que realmente sou”, disse.

A fruta não cai longe da árvore

Vera também destacou que os novos pais sempre pegam exemplos dos seus pais e dizem que não fariam isso ou aquilo, mas como a fruta nunca cai longe da árvore, se veem fazendo exatamente aquilo que juraram não fazer. Segundo ela, aprendemos com nossos filhos a sermos pais. Apresentamos uma proposta e eles nos mostram outras possibilidades, contrapropostas, que te formam como pai ou mãe.

A psicanalista também destacou a importância de levar em conta que os filhos vão mudando com o passar dos anos. Eles criam coisas novas e novos desafios, que vão nos tornando quem somos. “Há 21 anos, quando nasceu minha filha mais velha, eu já havia determinado que teria um parto de cócoras em casa. Mas meu marido não topou. Fui para o hospital e tive um descolamento da placenta.

Foi preciso recorrer à cesárea de urgência. Com um teste de Apgar [que avalia a vitalidade do recém-nascido] muito baixo, meu marido olhou para nossa bebê e falou: “filha, chora”. Ela chorou e o Apgar subiu. O nascimento nesse caso foi um salvamento. Diferente do que planejei, mas como deveria ser”, relembra ela, que citou ainda ter contado o fato na revista Crescer há mais de 20 anos.

 

Cospe para cima e cai na testa!

A jornalista Rita Lisauskas, do blog Ser Mãe é Padecer na Internet e autora do livro Mãe sem Manual, não só concordou com a psicanalista como também contou que na maternidade a regra é clara: cuspi para cima, cai na testa. “Eu falava que nunca daria chupeta para o meu filho. E já estava tudo combinado com o meu marido. Chupeta em casa só se fosse na decoração”, disse.

Mas tudo mudou quando num dia de muito chororô do seu filho Samuel, ela olhou para o marido e pediu a bendita chupeta que uma amiga havia dado de presente e que estava guardada no fundo do armário. “Ele me olhou desconfiado, como se me dissesse: “mas nós não combinamos que não daríamos?”. Mas demos. Foi por pouco tempo e veio acompanhado de uma ressaca moral no outro dia. Mas naquele momento tudo o que nós precisávamos era dormir. Já estávamos praticamente virando zumbis”, relatou à plateia atenta que a ouvia no auditório do Unibes Cultural.

Sem tempo para planejar

Se por um lado muitos pais pensam no que acontecerá quando seus filhos chegarem, por outro há os que recebem de surpresa a notícia da gravidez. Foi o que aconteceu com a influencer Mariana Uhlmann, mãe do Joaquim e da Maria, esposa do ator Felipe Simas. “Não tivemos muito tempo de pensar sobre que tipo de mãe ou pai seríamos.

As coisas foram acontecendo e aprendemos juntos, na prática. Nossa base é a verdade, o respeito, o exemplo”, contou Mariana no palco do evento. O mesmo aconteceu com Bruno Mascarenhas, do coletivo Balaio de Pais, que se tornou pai de Bernado aos 19 anos, sem planejamento. “Descobrimos tudo muito rápido. Com 19 anos você não sabe nem o que você quer, muito menos o que deseja como pai.

Mas, ao mesmo tempo, foi mais fácil não ter pensado tanto antes”, contou. Bruno dividiu com a plateia a sua experiência como cuidador do filho e disse que quando pediu para que o pequeno morasse com ele não fazia ideia do quanto é cansativo criar e educar as crianças. “Na primeira semana eu quase morri.

Era muito mais desgastante do que eu imaginava. Até então, na minha cabeça, tinha definido o que era “coisa” de mãe e de pai, mas aquilo tudo já não fazia mais sentido. Mudei como pessoa e como pai. E essa relação de confiança, de todo mundo estar se entendendo é muito bom”, confessou.

Superando as diferenças

Ao mesmo tempo em que os papeis de pai e de mãe estão cada vez mais se misturando, afinal, a criação é dever de ambos, isso não significa que o casal esteja em concordância sempre. Mas o que fazer para não bagunçar a cabeça da criança quando o pai pensa diferente da mãe? A influencer Mariana Uhlmann disse que o segredo da paz no seu lar está justamente no diálogo.

“Por mais que um discorde do outro, nós não vamos brigar por determinados assuntos na frente deles, jamais desautorizamos o que o outro disse. Depois conversamos só nós dois e resolvemos”, disse. Rita Lisauskas contou um dos episódios em que precisou parar e ouvir o marido, pois estava impondo que o filho não cortasse o cabelo do jeito que ela não queria, exatamente como sua mãe fazia.

“É muito difícil criar um filho sem estresse se o casal não acreditar nas mesmas coisas. Tem que ter um combinado nas coisas básicas e também no que diz respeito aos valores. Mas muitas coisas podem passar, como o corte de cabelo que não gosto que o Samuca faça, mas que vai deixa-lo feliz.”

Mudança de olhar para os filhos

As mudanças de fase dos filhos nem sempre são tão visíveis para os pais. Foi o que aconteceu com Bruno Mascarenhas. “Quando meu filho mais velho tinha 2 anos e meio eu comecei um novo relacionamento. Ele ainda usava fraldas e eu o enxergava como um bebê. Mas minha parceira me mostrou que ele estava crescendo. Então eu passei a assumir uma postura de pai de criança e não mais de bebê.”

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