De acordo com o Governo Federal, o Brasil registrou, apenas em 2016 o total de 17,5 mil casos de abusos contra crianças. Segundo o relatório do Disque 100, serviço de atendimento telefônico gratuito para denúncias de violações de Direitos Humanos, em 2017, foram registrados 9.138 casos em todo o país. Então, identificar esse tipo de crime e denunciar é de fundamental importância para enfrentar essa dura realidade.

Para isso, faz-se necessário entender e reconhecer os sinais que indicam quando uma criança está sendo vítima de maus tratos. Para a psicóloga Daniela Generoso, não é fácil captar a dor humana, afinal ela pode fugir das percepções, principalmente quando uma criança é abusada. Mas a sociedade de um modo geral precisa estar atenta, já que as crianças são extremamente vulneráveis a qualquer tentativa de maldade.

Ainda de acordo com a psicóloga, é importante frisar que as crianças sofrem como um adulto no conceito de dor e, o que muda, é a forma que percebemos isso. “Há alguns indicadores psicológicos muito comuns, quando uma criança sofre violência, inclusive as menores de três anos de idade”, destacou.

Daniela explica que as principais características são os transtornos alimentares, irritabilidade, alterações no nível de atividade junto com condutas agressivas ou regressivas, uma compreensão precoce da sexualidade e a mentira como artifício frequente. “A crueldade contra os outros e os animais e sentimentos profundos de tristeza e desesperança, também são sinais”.

Algumas também podem desenvolver transtorno de atenção, síndrome da acomodação e da vitimização, brincadeiras com outras crianças envolvendo toques e práticas não condizentes com a sua idade, como também a insistente desconfiança das figuras significativas, mau relacionamento com seus pais e dificuldades em fazer amizades.

A especialista alerta que é importante reparar mais de um sinal, porque esses sintomas isolados podem caracterizar muitas outras questões. “Para análise correta temos que correlacionar a observação clínica, os dados coletados em anamnese pelos pais, testes psicológicos e a escuta ativa. Na abordagem existencial humanista, não olhamos para criança como diagnóstico e, sim, como um ser que precisa ser visto e a sua alma tocada”, explicou a psicóloga.

A criança que é vítima de abuso, seja em qualquer instância,, tem sua infância roubada e sua alma dilacerada aos poucos. Geralmente, elas conseguem se refazer de forma mais rápida que um adulto. Porém, quando crescem, acabam remoendo sua dor e seu algoz por diversas vezes pela lembrança de sua mágoa.

“É fundamental protegê-las de pessoas ruins. Pais, precisam saber quem se aproxima de seus filhos, por onde andam. Esse cuidado é importantíssimo, pois a dor do abuso perdura por anos e anos e alguns, quando chegam na adolescência ou na fase adulta, chegam até a desenvolver pensamentos suicidas”, destacou a psicóloga.

Em caso de dúvida, se uma criança foi vítima de abuso ou não, procure um profissional de psicologia infantil ou converse com pediatra, porque através de testes psicológicos e a observação clínica é possível identificar.

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Destaques Psicologias do Brasil, com informações de FV.
Foto destacada: IStock/Getty Images.

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