Depressão, esse nome que indica a tristeza interior maior, incapacitante e pessoal; essa mesma que muitos não veem associada ao contexto social no qual nos encontramos. O certo é que somos seres sociais e o contexto é uma parte tão importante de nós quanto a nossa pele. Seguindo essa linha, atualmente estão surgindo diferentes tipos de intervenções/terapias que dão muita importância a como é a relação com o nosso meio; uma delas é a terapia interpessoal.

Nesse artigo vamos a explicar no que consiste a terapia interpessoal para tratar a depressão, e o que a torna tão diferente do resto das intervenções destinadas a acabar com esse problema. Além disso, falaremos de sua eficácia, tanto nos adultos quanto nas crianças e adolescentes.

Não há pior sensação do que aquela que é causada quando nos sentimos sós e deprimidos, apesar de estarmos rodeados de gente.

Características da terapia interpessoal

A terapia interpessoal foi originalmente desenvolvida por Gerald L. Klerman e sua equipe como uma terapia para nos mantermos longe da depressão. Mas, uma vez analisados os benefícios, concluiu-se que, além disso, trata-se de uma terapia que também nos deixava fortes ou mais resistentes a outros transtornos.

O poder da terapia interpessoal reside no fato de que ela leva em consideração os vínculos e relações interpessoais atuais e mais importantes para a pessoa, e também o contexto social imediato com o qual ela se relaciona.

A TIP conceitualiza a depressão como um conjunto de três componentes: sintomatologia, funcionamento social e personalidade. Sua finalidade é incidir sobre os dois primeiros componentes. O modelo terapêutico se foca em quatro problemas interpessoais:

Conflitos interpessoais: sejam familiares, sociais, de trabalho ou em qualquer outra situação. Estes conflitos são inevitáveis já que se baseiam na contraposição de dois ou mais pontos de vista. Só serão incluídos na terapia se causam um grande mal-estar.
Transição de papéis: as disputas interpessoais ou conflitos de papéis são geradas a partir de um conflito: a pessoas afetada e outra ou outras pessoas significativas esperam coisas diferentes de sua função, ou seja, existem expectativas não compartilhadas de como essa pessoa deve se comportar por ser pai, mãe ou chefe.

Sofrimentos: quando o mal-estar da perda é muito intenso ou dura muito tempo, podemos nos deparar com um sofrimento patológico. Para isso a TIP ou terapia interpessoal nos ajuda a analisar a perda de forma realista, lidar com as nossas emoções e preencher esse vazio de maneira saudável e positiva.

Déficits interpessoais: este problema surge quando a pessoa não tem uma rede social de apoio adequada ou suficiente, multiplicando-se, assim, os sentimentos de solidão e isolamento. Nesse caso, a terapia interpessoal nos ajudará a encontrar o nosso espaço social, melhorando, entre outros pontos, nossas habilidades sociais.

Estas variáveis são tão importantes em relação à depressão porque, quando alguma delas entra em jogo, nos vemos empurrados a uma “crise vital”. Essa crise dá lugar a inúmeros problemas psicológicos, sendo o mais comum de todos eles a depressão. Mas esta não é a única área na qual essa intervenção pode nos ajudar. Por exemplo, a terapia interpessoal também tem demonstrado ser eficaz no tratamento dos transtornos de alimentação.

A terapia interpessoal na infância e na adolescência

A terapia interpessoal é considerada eficaz para o tratamento da depressão não somente em adultos, mas também em adolescentes. Apontamos esse dado porque realça a importância de contar com habilidades para administrar as relações sociais e as emoções que possam surgir a partir das relações que mantemos com os demais, as que mantivemos ou as que formaremos no futuro.

Também devemos reconhecer que aprender desde jovens a administrar as perdas constitui uma enorme vantagem fundamental. Todos, infelizmente, teremos que administrar perdas, independentemente de estarmos ou não preparados para isso.

Não nos esqueçamos de que vivemos em um ambiente social em contínuo movimento, e nos adaptarmos a ele, saber enfrentar os problemas sociais e entender que as nossas próprias emoções se movem por causas sociais e contextuais melhorará as nossas estratégias de enfrentamento. A depressão não tem porque ser, por si só, um problema pessoal ou interior, mas pode ser um problema contextual e/ou relacional.

TEXTO ORIGINAL DE A MENTE É MARAVILHOSA

Imagem de capa: Fernando Brasil on Unsplash

Referencias bibliográficas:

Comeche, Mª Isabel; Vallejo, Miguel Ángel (2016): Lecciones de Terapia de Conducta. Madrid: Dykinson.

De Mello MF, De Jesús Mari J, Bacaltchuk J, Verdeli H, Neugebauer R (2005): A systematic review of research findings on the efficacy of interpersonal therapy for depressive disorders.Eur Arch Psychiatry Clin Neurosci 2005;255(2):75-82.

Vallejo, Miguel Ángel; Comeche, Mª Isabel (2016): Manual de Terapia de Conducta en la Infancia. Madrid: Dykinson.

Vallejo, Miguel Ángel (2016): Manual de Terapia de Conducta (Tomo I). Madrid: Dykinson

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