Por Isabel Rovira Salvador

Quando pensamos nos sintomas de um transtorno obsessivo compulsivo (TOC), costumamos nos concentrar naqueles que são mais típicos deste transtorno. Como a limpeza constante ou a constante necessidade de ordem. No entanto, nem todos os TOCs se manifestam de igual maneira.

Mesmo que as compulsões sejam um aspecto muito deste transtorno, existem casos em que as pessoas experimentam as obsessões sem chegar a manifestar nenhum tipo de compulsão. Quer dizer, nenhum tipo de sintoma comportamental visível. Este subtipo de TOC é conhecido como transtorno obsessivo compulsivo puro.

O que é o transtorno obsessivo compulsivo puro?

O transtorno obsessivo compulsivo puro é um subtipo do TOC caracterizado pela presença de pensamentos obsessivos que aparecem na mente da pessoa de maneira repetitiva, intrusiva e incontrolável. Diferente do TOC tradicional, a pessoa que sofre com este tipo de transtorno não se prende em rituais ou comportamentos visíveis relacionados com as obsessões, mas estas sofrem com os rituais mentais ocultos.

O transtorno obsessivo compulsivo puro tem sido considerado, de forma errônea, como uma variante menos grave do TOC. Porém, aquelas pessoas que experimentam os sintomas deste transtorno atestam que os pensamentos intrusivos podem chegar a ser incapacitantes e gravemente angustiosos. Apesar destas pessoas serem diagnosticadas com transtorno obsessivo compulsivo puro, esta variação não aparece no Manual de DSM-V como um diagnóstico separado ou diferente do TOC tradicional.

Quais os sintomas apresentados no TOC puro?

As pessoas que sofrem da variante exclusivamente obsessiva do transtorno obsessivo compulsivo experimentam uma ampla gama de sintomas do TOC, embora as compulsões óbvias ou visíveis mediante o comportamento se encontrem ausentes. Para entender melhor no que consiste este transtorno realizaremos um pequeno repasse dos sintomas do quadro clínico de TOC. Segundo o DSM-V, o toc se caracteriza pela presença de obsessões e compulsões.

A pessoa pode experimentar as obsessões na forma de imagens e pensamentos intrusivos-repetitivos. O conteúdo destes pensamentos se centralizam nos temas somáticos, sexuais, religiosos ou agressivos; assim como as questões relacionadas ao controle, a simetria, a limpeza ou higiene, entre muitos outros conteúdos.

Como resultado destes pensamentos obsessivos, a pessoa sente a necessidade de uma série de ações repetitivas conhecidas como compulsões. Estas ações podem ser comportamentais ou mentais, como ocorrem no caso do transtorno obsessivo compulsivo puro, e possuem como finalidade reduzir a angústia gerada pelas obsessões.

Uma vez conhecido isto podemos nos perguntar; Quais sintomas caracterizam então o transtorno obsessivo compulsivo puro? Existem dois sintomas concretos que podem ser utilizados para diferenciar um TOC puro de um tradicional. Estes sintomas se realizam na presença de rituais mentais e na busca constante de alívio.

1. Rituais mentais

No TOC puro, a pessoa praticar uma série de rituais mentais desenhados para reduzir a angústia. Estes rituais podem incluir a revisão mental constante de recordações ou informações, a repetição mental de palavras ou desfazer e fazer mentalmente certas ações.

2. Busca de alívio constante

Além de compulsões mentais, estas pessoas tendem a buscar alívio de maneira repetida e constante. No entanto, os pacientes não reconhecem este comportamento como uma compulsão. Esta conduto pode implicar uma necessidade e busca de segurança e ao mesmo tempo evitar objetos ou situações que provocam ansiedade.

Uma complicação além deste sintoma é que as pessoas que cercam o paciente podem não entender
estes comportamentos e interpretarem estas demandas como necessidades, não como sintomas de um transtorno, e podem ficar incomodadas com esta necessidade constante de consolo. Alguns estudos realizados com pessoas diagnosticadas com transtorno obsessivo compulsivo puro descobriram que estas pessoas consideravam os pensamentos obsessivos como pensamentos tabu ou inaceitáveis.

Finalmente, podemos concluir que nesta variante do TOC estão as compulsões, porém que estas tomam uma forma diferente que no diagnóstico tradicional e, além disso, são muito menos óbvias devido a natureza cognitiva destas.

O TOC puro é uma variante do TOC tradicional?

Embora seja verdade que algumas pesquisas apontem a possibilidade de que existam diferentes formas de TOC, outras sugerem que o termo “puro” é inadequado. A razão é que as pessoas que experimentam essas obsessões sem compulsões comportamentais visíveis participam de rituais mentais ocultos.

De acordo com esses estudos, o reconhecimento desses rituais mentais como compulsões é muito importante, pois pode ser útil ao tornar o diagnóstico e o tratamento mais adequados. Ao compreender que estes rituais existem, os terapeutas e profissionais da saúde mental podem ajudar os pacientes com estes sintomas. Sem tais averiguações os pacientes podem tentar ocultá-los ou, ainda, não serem realmente conscientes de sua existência.

Existe um tratamento?

Os tratamentos para transtorno obsessivo-compulsivo, incluindo sua variante “pura”, geralmente envolvem a administração de fármacos em combinação com terapia psicológica, grupos de apoio e educação psicológica.

1. Intervenção Psicológica

Tradicionalmente, considera-se que a terapia cognitivo comportamental resulta no tratamento mais afetivo para o TOC. No entanto, no TOC puro é de vital importância que o terapeuta entenda a necessidade de abordar também os rituais mentais subjacentes. Pois se ele considera que as obsessões são apenas visíveis, o tratamento não será realmente eficaz.

2. Terapia Farmacológica

Enquanto a terapia farmacológica, entre os medicamentos indicados par o tratamento do TOC se incluem os inibidores seletivos de receptação de serotonina, os antidepressivos tricíclicos como a clomipramina. A escolha do tratamento farmacológico dependerá tanto do estado do paciente como da disposição e entendimento do terapeuta cognitivo.

Este texto é um tradução adaptada de “Trastorno obsesivo compulsivo puro: síntomas y tratamientos” escrito pela Psicóloga e Sexóloga Isabel Rovira Salvador.

Imagem de capa: Shutterstock/Nevena Marjanovic

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*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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