Por muito tempo, felicidade veio com “lista pronta”: casar, ter filhos, comprar casa e carro, subir na carreira, manter a saúde em dia e guardar dinheiro.
Só que esse pacote começou a perder força quando as pessoas passaram a admitir que a vida real muda de rota, dá errado às vezes e, ainda assim, pode ter sentido.
O problema é que, junto dessa liberdade maior, veio uma cobrança nova (e barulhenta): a de parecer bem o tempo todo — principalmente quando a tela do celular virou vitrine de sorrisos, viagens e dias perfeitos editados.

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Nesse cenário, uma frase antiga continua bem atual. Ao estudar o tema, Sigmund Freud já alertava que a ideia de “felicidade constante” é, no fim das contas, uma meta impossível.
Em outras palavras: se você se mede por um padrão de alegria permanente, a conta não fecha — e a ansiedade cresce, porque qualquer tristeza vira “falha” em vez de algo humano.
É justamente aí que entra Tal Ben-Shahar, psicólogo israelense conhecido por popularizar a chamada ciência da felicidade e autor do best-seller Happy Habits (com lançamento previsto no Brasil).
Depois de décadas pesquisando o assunto — e dialogando com autores como o próprio Freud — ele bate numa tecla incômoda: uma das maiores barreiras para se sentir bem é acreditar que uma vida “ideal” não deveria ter emoções dolorosas.
Quando a pessoa compra essa crença, ela começa a tratar tristeza, raiva, inveja e frustração como inimigas que precisam ser eliminadas, e não como sinais que pedem escuta e ajuste.

Em entrevista, Ben-Shahar critica o que ele chama de “tirania do estar bem”: a pressão para manter uma imagem sempre leve, produtiva e resolvida. Só que emoção não funciona por decreto.
O que muda é a relação com ela: reconhecer o desconforto, dar nome ao que está acontecendo e evitar o efeito dominó de culpa (“estou triste, logo tem algo errado comigo”).
Para ele, esses estados fazem parte da condição humana e podem servir de treino mental — desde que a pessoa pare de lutar contra o fato de sentir.
Em vez de vender fórmula, o psicólogo defende um conjunto de hábitos diários em áreas diferentes.
Ele fala de cuidado físico (movimento e descanso de verdade), estímulo intelectual (aprender e exercitar curiosidade), relações sustentadas por vínculos bons, um senso de propósito que não depende de religião e, claro, o lado emocional: encarar de frente o que incomoda, sem fingir que não existe.

Outra ideia central do livro e das pesquisas citadas por ele é simples e pouco “instagramável”: mudanças consistentes costumam vir de ações pequenas repetidas com frequência, não de viradas radicais que prometem consertar tudo de uma vez.
É aí que mora a armadilha: buscar uma vida sem sentimentos difíceis — e ainda se culpar quando eles aparecem — como se isso fosse o preço obrigatório da felicidade.
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