Afinal, somos produtos ou pessoas?

Desde muitos e muitos anos atrás, o homem cortejava a mulher escolhida, aquela que mais lhe chamava a atenção e ela, sendo recatada, devia esperar por seu homem. Claro, existiu também o tal do casamento formado, em que não se podia escolher seu par. Mas a mulher e/ou o homem também eram objetos de escolha, mesmo que fosse pela família. As pessoas, na maioria das vezes, assumem esse papel, inconscientemente.

Remetendo aos dias atuais em que podemos ver que a mulher conseguiu seu espaço, não inteiro, mas uma parcela um tanto quanto significativa. As mulheres continuam sendo escolhidas, como se fossem produtos em uma prateleira, qual é a mais bem vestida, mais bonita, tem o corpo mais magro, que tem o cabelo mais bonito e hidratado, as unhas impecáveis e tantas outras coisas, que vez ou outra me dá aos nervos.

Claro que também possuem homens desse tipo, que criam competições imaginárias entre si. Quem possui mais dinheiro, o melhor carro, os músculos mais definidos. O que no final só atrai pessoas também superficiais que mantêm sentimentos superficiais.

Então, qual é, viramos mercadoria barata?

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Desculpe, não posso generalizar. Vejo também lindas exceções, mulheres que conseguem mostrar ao mundo que o seu papel é muito maior do que se pode imaginar e deduzir, elas não se importam de sair na rua com o cabelo mal penteado ou com a primeira roupa que encontra no armário de vez em quando, saem determinadas, fazem o que querem fazer sem ter que precisar passar por cima dos outros, ousadas, inteligentes, imperfeitas, que se assumem como tal e se viram sozinhas, sem precisar sustentar relações pobres. Assim também, como há homens dedicados, determinados, respeitosos, com valores. Pessoas que se encontram e acabam por encontrar o outro. Pessoas que não escolhem pela marca, pela embalagem, pelo selo de garantia, mas pelo conteúdo, pelo espírito, pelo coração.

Infelizmente, desde que o mundo é mundo, o status social representou grande parcela daquilo que somos e assim deixamos de ser um pouco o que queremos, pra sermos o que o mundo quer. Praticamente máquinas. Com sentimentos manipulados pelas propagandas da TV, por ideias implantadas pelos interesses de quem está no poder e assim quer continuar.

É tão bonito ver o artista fazer a arte pra si, para o mundo, o seu e o dos outros, com tamanha simplicidade que chega a ser ousado. É tão bonito ver aquelas pessoas que deixam seus celulares para estar na vida, com os amigos, com a família. É bonito ver pessoas fora de moda, fora dos padrões, pessoas excêntricas, esquisitas, especiais. Que descartam opiniões que não servirão para crescimento. Que acreditam no amor, não esse tipo de amor atual efêmero, mas aquele que cuida, que está presente independente dos quilômetros, que transcende o nosso ser, amor genuíno. É tão bonito ver pequenas gentilezas, em um mundo hostil que só consegue enxergar o próprio umbigo.

Como diria Gandhi: “Seja a mudança que quer ver no mundo”. Ou Tolstoi: “Todo mundo pensa em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo.” Até mesmo: “Ontem eu era inteligente, queria mudar o mundo. Hoje eu sou sábio, estou mudando a mim mesmo.”

Frases assim, nos fazem querer mudanças. Tentar enxergar os nossos mundos mais profundamente e encontrar o que nos falta e o que é descartável. Mas mudar não é só trocar os pensamentos, é agir, é ser. Aquele que vê uma briga e não faz nada, também está tomando uma atitude. Pensar é diferente de agir, eu sei, você sabe, a teoria sempre foi mais fácil do que a prática.

Nós nunca precisamos de muito, do tanto que a mídia exibe que precisamos. Na verdade o muito acaba se tornando pouco, muitas vezes. A questão não é ter o melhor de tudo, mas é valorizar o que você tem, é ser o melhor que pode ser, não querer ser o melhor de todos, a vida não é uma competição, nós não devemos ser inimigos uns dos outros, devemos juntar forças, devemos nos ajudar. O mundo exige união, mas só cria situações de discórdia.

Comece com pequenas coisas, simples, quase imperceptíveis, depois alcance as grandes, transforme o seu mundo. Ser é diferente de ter. No fim o que fica é o que a gente foi, não o que a gente teve. Um coração cheio ou vazio. Uma alma pequena ou grande.

Se abra para o mundo, aceite que talvez o seu nariz não é tão bonito mesmo, mas os seus olhos podem ser deslumbrantes. Aceite que talvez você não tenha uma mansão, mas tem um lar cheio de amor e acolhimento. Aceite que a sua vida não é como os comerciais de TV. Aquilo nem existe. Se aceite e aceite o outro que está do seu lado. Viva a sua vida, não a vida que dizem por aí nos outdoors.

Nós podemos ser mais, mas temos a péssima mania alienada de acharmos que somos menos.
TEXTO ORIGINAL DE OBVIOUS

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