Atenção: Use esse material com responsabilidade.

 

Periodicamente eu e vários colegas publicamos textos nesse site, Psicologias do Brasil, que reúne e disponibiliza gratuitamente material sobre os mais variados assuntos da área. Contudo, sempre é bom esclarecer ao leitor que disponibilizar acesso gratuito a um material não significa a sua total gratuidade. Por quê? Porque pelo menos em psicanálise, não é possível investigar o inconsciente apenas adquirindo livros sobre o assunto.

Aliás, todos sabem que a obra de Freud é de domínio público podendo sim ser requisitada enquanto material literário sem custos. Agora o conhecimento referente à psicanálise só pode ser adquirido mediante pesquisa, atendimento clínico, supervisão e investimentos dos mais variados em formação e análise pessoal; Todas essas coisas são muito caras.

Com a internet temos acesso rápido e fácil à informação, qualquer texto de boa ou má qualidade pode ser encontrado mediante uma rápida pesquisa na rede. Mas será que é possível aprender algo a respeito desses vários conteúdos só porque, por um lado, eles estão disponíveis, e, por outro lado o leitor tem grande afinidade com o assunto?

Por exemplo, querer aprender mais sobre Transtorno de Personalidade Borderline ou depressão visando, claro, obter algum benefício é possível? Temo que a resposta tenda para o ‘não’.

Mais do que isso, talvez toda essa disponibilidade possa ser prejudicial! O sujeito tem uma angustia, faz uma rápida pesquisa na internet e encontra material com alguma explicaçãozinha que o alivia, ok, mas talvez o problema fundamental, quer dizer, talvez o grande risco que corremos é que dessa forma a angustia não mais possa mobilizar o sujeito ao pensamento.

Pensar não é o mero rememorar, não é misturar e não é acumular informação; Pensar é muito difícil! E escrever tentando perseguir o pensamento é algo que beira o impossível.franzzz

Dito isso, não é possível entender qualquer coisa sobre ‘pânico’, ‘histeria’ ou ‘depressão’ etc desconsiderando o narcisismo que sublinha essas vivências sintomáticas, temo que essa “facilidade” para conseguir informação só reforce a prisão narcísica que é uma grande marca do mal-estar cultural atual, como por exemplo, foi descrito pelo psicanalista Joel Birman desde o inicio da década de 1990, isso por que ainda não havia internet naquela época.

Por falar nisso, já raparam que em várias Selfs as pessoas cortam/deixam para fora a parte superior da cabeça? Pela lógica do HTP temos uma análise bastante interessante… Sinceramente eu acredito que excluir essa parte da cabeça é uma maneira de expressar certa “obsolescência” da integração das vivências através do pensamento; De como o mundo tende perigosamente a se afastar e extirpar esse potencial de nós.  

  Portanto caro leitor, tenha em mente que esses ensaios disponibilizados aqui são pequenos esboços de pensamentos que eu vivo perseguindo.  Somente compreensíveis verdadeiramente para quem buscar entende-los para além de uma rápida pesquisa de internet. Trate-os com respeito, eles não estão aí simplesmente “de graça” e por isso eu não me responsabilizado por qualquer tipo de mau uso.

Se você é estudante da área: Invista em supervisão.  Se você quer compreender algo sobre o sofrimento psíquico: Faça a sua análise.  Se você quer usar ou desenvolver alguma ideia desse local, cite devidamente as fontes. Por fim, se você tem dúvidas, sugestões e quer se aprofundar em algum assunto meu contato está disponível.

A imagem desse texto é uma ilustração de K. feita Lex Gorlov. K. é o personagem principal do conto – O  Castelo – de Frans Kafka.  

 

  

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Carlos Bengio
Psicólogo. CRP 117690. Mestrando pela PUC em psicologia Clínica - Método psicanalítico e formação da cultura - Clínica Particular: São Paulo, (SP). Psicólogo clínico, interessado em psicanálise cultura e sociedade, especialmente cultura e sociedade brasileira. Contato: (11) 9 7578-1485(Tim).



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