Brincar de Faz de conta

As crianças possuem uma facilidade muito grande de representarem o que vive e sentem, isso acontece quando estão brincando de faz de conta ou de mentirinha, essa brincadeira pode ser vivenciada em grupo ou sozinho.

Segundo Oliveira apud Viegas (2008) o simbolismo expresso na brincadeira de faz de conta contém uma carga emocional tão profunda e representativa de conteúdos e mecanismos inconscientes que se aproxima das representações oníricas, prevenindo e combatendo o estresse da hospitalização, assim como resgatando mecanismos saudáveis de auto-recuperação, em seus aspectos complementares físicos e psicológicos. O faz de conta é benéfico à criança como um todo, enquanto para alguns adultos é apenas uma brincadeira sem sentido e sem importância.

Quando a criança brinca de faz de conta, utiliza-se de sua imaginação, de sua memória, de sua percepção, de sua criatividade, para representar a realidade a seu modo, logo a criança está utilizando a sua cognição e desenvolvendo suas habilidades durante o faz de conta.

Quando representa o que está acontecendo consigo mesma por meio do brincar, a criança projeta em algo palpável e visível e que esteve e está pensando e sentindo. Ao projetar, ela tem condições de ver, de tocar, de sentir, em algo concreto, como as bonecas ou os animais, o seu mundo interno, aquilo com que representa a sua realidade. É justamente essa utilização de recursos sensórios-motores engajados na representação simbólica que cria condições da criança entender e aceitar melhor o que está  passando consigo mesma. O lúdico leva, portanto, a um melhor, mais tranquilo e seguro esclarecimento do processo de hospitalização.

Brincar de faz de conta é a maneira que as crianças usam para jogos dramáticos de improvisação. Brincando de situações as crianças experimentam o seu mundo e aprendem mais sobre o mesmo; trata-se portanto de algo essencial para o seu desenvolvimento sadio. Para as crianças, brincar de faz de conta é algo muito sério e possui muitos sentidos, através da qual elas se desenvolvem mentalmente, fisicamente e socialmente. Brincar é a forma de autoterapia da criança, por meio da qual, confusões, ansiedades e conflitos são muitas vezes elaborados. Através da segurança da brincadeira toda criança pode experimentar suas próprias novas formas de ser. As crianças experimentam na vida muita coisa que ainda são incapazes de expressar verbalmente, e deste modo utilizam a brincadeira para formular e assimilar aquilo que experiência (OAKLANDER, 1980, p. 184).

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Silvia Duarte
Psicóloga Clínica e Palestrante na Instituição Atitude Jovem Adventus. Graduada em Psicologia pela FAMETRO - Faculdade Metropolitana de Manaus (AM-2014)



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