Em primeiro lugar, vou repetir aquela dica que parece clichê, mas não é… A melhor forma de se realizar uma escolha consistente, é se conhecendo e conhecendo as suas possibilidades. É importante conhecer suas habilidades e limitações para evitar que você invista tempo e dinheiro em coisas que não serão úteis profissionalmente ou não irão te proporcionar um sentimento de realização profissional. Até a um tempo atrás existia uma pressão muito grande em relação a escolha profissional, pois era uma escolha que carregava uma ideia de algo definitivo, como se o que você escolhesse na hora do vestibular, fosse determinante para nortear toda sua trajetória.

Como se seu sucesso ou fracasso fosse determinado simplesmente por esta escolha. Hoje em dia, sabemos que as coisas já não são assim, principalmente depois da crise política e econômica que o Brasil tem enfrentado desde 2014, é cada vez mais comum conhecer pessoas que aproveitaram um momento de crise, desemprego ou alguma outra situação inusitada para poder repensar sua carreira e mudar radicalmente seu ramo de atuação.

Uma coisa que gosto de deixar claro, é que o processo de autoconhecimento em um trabalho de Orientação Profissional, não é algo com uma finalidade terapêutica, para isso eu indico uma psicoterapia. O autoconhecimento que falamos na Orientação Profissional está relacionado em possibilitar que o adolescente ou o orientando consiga olhar para dentro de si, reconhecendo suas habilidades, seus gostos pessoais, sua personalidade como ferramentas necessárias para pensar nas carreiras que possam combinar com seu perfil.

A partir do momento em que você já se conhece e tem alguma noção de que área combina com você, o trabalho fica mais fácil, uma outra dica que dou em meu programa de Orientação Profissional é pensar em como deseja estar no futuro, isso pode ajudar a pensar nas ações que deverão ser tomadas agora, já que construir um futuro requer um planejamento.

Na minha época, quando comecei a pensar em vestibular, eu imaginava as profissões de uma maneira muito superficial, achava por exemplo, que se eu escolhesse uma faculdade de direito, teria que ser um advogado, trabalhar em um escritório atendendo causas trabalhistas, cíveis… Nem me passava pela cabeça que sendo bacharel em direito, além de advogado eu poderia seguir uma carreira acadêmica ou me preparar para um concurso e me tornar juiz, promotor, procurador de justiça, desembargador, defensor público, analista do judiciário, oficial de justiça, delegado de polícia, oficial da polícia militar, escrivão da polícia civil, até mesmo diplomata. Por isso é extremamente importante buscar a maior quantidade possível de informações sobre as mais variadas carreiras. Procure eventos dentro das áreas que você tenha interesse, assista palestras, participe de congressos, geralmente estes eventos cobram valores promocionais para estudantes. Pesquise sobre o mercado, tente conversar com profissionais da área, se tiver algum familiar ou alguém próximo é melhor ainda, para saber como é a vivência desta área, como anda o mercado de trabalho, a formação necessária para ingressar.

Conhecer o curso e a universidade também é muito importante. Muita gente acaba abandonando a faculdade por não saber exatamente do que se tratava o curso, para isso eu sempre aconselho pesquisar no site das universidades que tem interesse em estudar, procurar o curso de interesse e buscar a grade curricular do curso, lá você encontra as matérias que irão compor cada período e já descobre se o curso corresponde ou não às suas expectativas. Outra coisa muito importante é tentar participar de atividades nas universidades, as redes sociais podem te ajudar a conhecer um pouco das agendas de eventos das universidades, mas uma visita é sempre válida, até mesmo, para verificar a possibilidade de assistir algumas aulas como ouvinte, pode ajudar bastante a você a se decidir.

Com todas as ferramentas em mãos, é hora de começar a construir a carreira. Hora de casar as habilidades pessoais com todo o conhecimento adquirido da área desejada. Escolher é fazer uma aposta, por isso, quanto mais conhecimento conseguir obter, mais segura e consistente será sua escolha. Mas, não se esqueça de que as coisas podem mudar, que sempre é possível mudar de área, inclusive exercendo a mesma profissão, como o exemplo que dei do curso de direito ou reiniciando o processo e recomeçando com algo completamente diferente!

Imagem de capa: Shutterstock/Pressmaster

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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Psicólogo Clínico, também atua como Orientador Profissional, pós graduando em Teoria psicanalítica e práticas clínico-institucional. Criador do Blog Vivendo a Orientação Profissional. Observador do cotidiano, apaixonado por gente, músicas, livros e animais

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