Segundo os manuais de psiquiatria o autismo é definido como um transtorno com alterações presentes já antes dos 3 anos de idade e que se caracteriza por alterações qualitativas na COMUNICAÇÃO, na INTERAÇÃO SOCIAL e no uso de estereotipias.

E como identificar no dia a dia essas alterações qualitativas?

Lembrando sempre que a mera identificação de alguns sinais e sintomas não faz um diagnóstico preciso, é preciso procurar um profissional especializado para um melhor entendimento das expressões da criança. Desde o momento que nascemos é possível notar muitas condutas que permitem avaliar o estado geral de desenvolvimento, seja na área psicomotora, de percepção de mundo, desenvolvimento afetivo, comunicativo e social.

A ausência, atraso ou diferença manifestada nessas condutas de acordo com o que é esperado pela idade é o que pode nos chamar a atenção para uma possível hipótese de autismo. A guia apresentada a seguir de exemplos dessas condutas não deve ser utilizada como instrumento diagnóstico ou de avaliação, dito isso, vamos aos comportamentos:

  • Dos 0 aos 3 meses de idade

–  Importante observar se há hipotonia, letargia ou excessiva tranquilidade do bebe (baixo tônus muscular e pouco movimento geral).

– Certa dificuldade para serem alimentados, na recusa de alimentos ou vômitos constantes.

– Reflexos alterados, pobres, lentos ou exacerbados.

  • Dos 3 aos 6 meses

– Ausência ou pouco sorriso social (quando a criança reage diante de caretas e brincadeiras, uma espécie de resposta ao rosto humano que até então ela não tinha).

– Escasso seguimento visual de objetos e pessoas.

– Pouca reação a estímulos auditivos, barulhos ou vozes.

– Pobreza de balbucio ou jogo vocal (a criança parece brincar com os sons que emite, o que não acontece nesse caso).

 

  • Dos 6 aos 9 meses

– Ausência de pedidos de atenção.

– Escasso interesse nas pessoas.

– Pouca exploração na procura de estímulos do ambiente.

– Sorrisos sem motivação social aparente.

 

  • Dos 9 as 12 meses

– Temor ao barulho ou a mudanças repentinas.

– Escasso repertório de sons vocais.

– Dificuldade para antecipar as rotinas sociais.

– Dificuldades para coordenar movimentos gerais ou manusear objetos.

  • Dos 12 aos 18 meses

– Menos de 5 palavras ao finalizar o período.

– Escasso ou nulo ato de apontar.

– Ausência de brincadeiras de faz de conta ou de se “esconder”.

– Preferencia excessiva por atividades solitárias.

 

  • Dos 18 aos 24 meses

– Utilização de menos de 10 palavras.

– Pouca intenção comunicativa em geral.

– Pouca compreensão de ordens e/ou comentários.

– Pouca reciprocidade com adultos ou crianças.

 

Esses são alguns sinais que podem ser percebidos nos cuidados diários de quem convive com a criança. Os exemplos que ocorrem em um período podem ocorrer em outro também, não há um padrão ou um modo fixo de se apresentar, assim como o diagnóstico de autismo pode ser confirmado sem a presença de todos esses sinais.

O diagnóstico é muito mais complexo do que a simples descrição dos sintomas, mas eles nos ajudam a traçar uma linha de raciocínio para pensar o modo como a criança se apresenta diante do outro.

Imagem de capa: Shutterstock/Olesia Bilkei

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


Compartilhar

RECOMENDAMOS


Fernanda Marchi
Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas). Exerce a atividade clínica tendo sob orientação a abordagem psicanalítica, nas cidades de Nova Venécia e Vitória no Espírito Santo. Atua no atendimento à adolescentes e adultos, mas é no contato com o atendimento infantil, principalmente voltado ao autismo, que dedica seu trabalho clínico. Atualmente é membro da Escola Brasileira de Psicanálise em Vitória e cursa Especialização em Avaliação Psicológica pelo Instituto de Pós Graduação Ipog.

COMENTÁRIOS