E SE EU NÃO ENCONTRAR MINHA ALMA GÊMEA?

“Se você conhecer alguém, o coração bater rápido, as mãos tremerem, os joelhos ficarem fracos, essa não é aquela pessoa. Quando você encontrar sua alma gêmea, vai sentir-se calmo, sem agitação”.

Vi esta frase na rede social, segundo o post trata-se de um ditado da sabedoria budista. Isso me fez pensar no conceito de alma gêmea, como isso nos afeta? Quais as nossas fantasias e expectativas em torno disso? Esta ideia é tão presente na humanidade, que consta na sabedoria de vários povos. Fico me perguntando até que ponto a ideia de alma gêmea impacta nas nossas escolhas, na nossa vida amorosa. Para isso resolvi fazer um passeio em outros campos do conhecimento, fora da ciência. Me acompanha?

Segundo o Zohar, o livro base da Kabbalah, filosofia que tem origem no judaísmo, a alma tem dois aspectos complementares, o feminino e o masculino. Ao encarnar, o masculino vem no corpo de um homem e o feminino no corpo de uma mulher. Ou seja, a alma se divide em duas, e uma vez na Terra terá sempre a sensação de que falta a outra da metade, e encontrá-la, consistiria em um sentimento de plenitude.

Acredita-se também que a alma gêmea vem do outro lado do oceano, de modo que dificilmente seria um amigo de infância, vizinho ou alguém já conhecido. Trata-se de uma pessoa com bagagem bem diferente da sua, de modo que se complementem. Isso me faz lembrar um comentário que uma amiga costuma fazer: “se é que existe alma gêmea, a minha está do outro lado do mundo, pode ter morrido ou nem encarnou.” Por esse ponto vista, ela pode estar certa não é mesmo?

Agora, veremos o que diz uma lenda chinesa: o fio vermelho do destino é amarrado pela divindade, de nome Xia Lao Yue, antigo deus lunar casamenteiro no tornozelo dos homens e mulheres que estão destinados a serem alma gêmea um do outro. Uma ligação espiritual que dura para sempre. A lenda também se tornou um mito popular na cultura japonesa, mas fala de um fio invisível que é amarrado no dedo do pé das duas pessoas.

Segundo o espiritismo não há uma pessoa específica para você, mas pode haver um forte sentimento de simpatia, identificação e afinidade, decorrente de encontros significativos em outras vidas.

E SE EU NÃO ENCONTRAR MINHA ALMA GÊMEA?

Mas, como a ideia do texto não é ficar conjecturando sobre questões da espiritualidade, vamos ao ponto. Retomando as ideias da Kabbalah, ela reconhece que o encontro com a alma gêmea é um acontecimento muito raro. Então, fala sobre algo bem mais factível de acontecer. O encontro da “ALMA CERTA”, que é a pessoa ideal, para o seu desenvolvimento e evolução no momento.

Achei a ideia interessante, e é exatamente nesse ponto que eu queria chegar. Esta não é uma página mistica ou espiritualista, mas as tradições milenares e seus conhecimentos não devem ser desprezados, e me parece que neste ponto as ideias se encaixam como em um quebra cabeça.

As pessoas certas surgem no nosso caminho para nos ajudar nessa jornada chamada vida. Para que esta jornada seja rica, e valha a pena, penso que o autoconhecimento é fundamental e que leva ao crescimento, a evolução emocional.

Pode ser que a pessoa certa apresente muita afinidade e tenham coisas parecidas conosco. Ou não necessariamente. Talvez seja necessário lidar com divergências de opiniões, diferença na criação no temperamento, na personalidade. Mas sempre considerando que sentir-se bem junto da pessoa é essencial.

Lidar com estas diferenças não é fácil, mas é um caminho para a evolução pessoal. Mas atenção: aprender a conviver e lidar com as diferenças é completamente diferente do que se anular ou assumir uma postura passiva. A pessoa certa é uma facilitadora para olhar para si mesma, conhecer facetas que até então desconhecia. De modo que você também desempenha este papel para o desenvolvimento dela.

Lembrando que quanto mais evoluídas emocionalmente, mais conscientes de nós mesmas, maiores são as chances de relacionamentos saudáveis e satisfatórios.

Compartilhar
Gisele Ventura
Especialista em saúde mental pela UNIFESP e orientadora vocacional.



COMENTÁRIOS