Me formei no Ensino Médio, e agora? Pensando a carreira profissional

Muitos jovens se formam no ensino médio e se sentem indecisos em relação a qual carreira ou profissão seguir. Movidos pela influência de familiares, muitas vezes acabam optando por profissões e cursos que na realidade não são o que gostariam para sua vida. Esse período de decisões é bastante delicado, pois o jovem encontra-se confuso, trata-se do final da adolescência, período de intensas transformações tanto físicas, quanto emocionais.

É uma fase decisiva e importante em sua vida, que determinará seu futuro e satisfação em determinada profissão e muitas vezes não se sente preparado para um passo tão importante. Lembro-me de minha época no final do ensino médio e é incrível o quanto essas decisões permeiam nossa mente por longos períodos. Antes de decidir prestar o vestibular para Psicologia, decidi ficar um ano “pensando” no que queria para minha vida.

Tinha apenas 16 anos e sentia-me despreparada, com muitas dúvidas e um sentimento de que ainda não era a hora. Esse tempo de reflexão foi importante para que eu firmasse minha decisão e paixão pela Psicologia e optasse por esse curso. Obviamente que nem todo mundo precisa esperar todo esse tempo para que decida realmente qual curso seguir, cada um tem seu próprio tempo, apenas ilustro as dificuldades dessa fase, com minha história.

Poderíamos dizer que essa seria uma das primeiras e mais importantes decisões que o jovem adulto faz em sua vida e na maioria das vezes não se sente confiante em suas escolhas. Alguns pontos são importantes de serem pensados nessa fase, como por exemplo, uma preparação mais enfatizada ainda nas escolas sobre as profissões, esclarecimentos sobre vestibulares e aspectos que envolvem o novo período a ser enfrentado.

Muitas escolas possuem essa preparação e ela pode diminuir a ansiedade, fazendo com que percebam que não estão sozinhos e que seus colegas estão passando por esse mesmo momento. Muitas vezes, a maior preocupação dos jovens não está relacionada a “passar” no vestibular ou tirar as melhores notas e sim se realmente estão tomando a decisão correta em sua escolha profissional, por isso, além de todos os conteúdos de sala de aula que são importantes de serem abordados, é importante conversar também sobre esses detalhes e trâmites, que podem deixá-los mais calmos e auxiliar nas decisões.

Os pais sendo flexíveis com as decisões e desejos de seus filhos quanto às suas carreiras e opções profissionais, também podem contribuir para que esse momento seja menos turbulento e difícil. Há muitos casos em que se presta vestibular para determinado curso, mas acaba não se identificando e trocando para outro. Precisamos encarar isso como algo bom, mesmo que tenha seu lado “ruim”: foi uma tentativa e como toda tentativa, pode ou não dar certo, mas o importante é tentar.

É importante também pensarmos que hoje existe um leque de opções de cursos que abrangem as mais diversas áreas e cada pessoa se identificará com aquele que seu perfil mais se aproxima. Há nessa escolha, uma questão muito subjetiva e pessoal, por isso ninguém além do próprio jovem pode tomar essa decisão por ele. É preciso mais leveza nesse momento, não tornar essa fase mais “assustadora” o que ela é.

Mesmo que leve tempo e depois de muitas tentativas, é importante que tenha o apoio da família em suas decisões para que consiga encontrar satisfação em suas escolhas e caminhos. Nesse momento, uma orientação vocacional, feita com profissional adequado pode auxiliar nessa escolha. Não hesite em buscar essa ajuda, caso julgue necessário.

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Sara Kronbauer
Psicóloga, gaúcha e acompanhada de um enorme desejo pela escrita, suas provocações e nuances. Para mim, a escrita possui múltiplos sentidos, ao passo que ela me permite analisar, constatar, indagar e perceber situações de modo diferente do habitual, saindo do "clichê" e habitando paisagens e caminhos ainda não desbravados, percorridos ou sentidos e isso vale também para a leitura. Escolhi também a Psicologia, justamente por ela me ofertar a possibilidade de ampliar o olhar frente às questões da vida. Trabalho atualmente em Consultório, onde realizo atendimento de crianças, adolescentes e adultos. Desenvolvo também, o Café com Psicologia, que trata-se de um projeto que busca aproximar as pessoas da Psicologia, a partir de encontros em diversas instituições e estabelecimentos, discutindo temáticas pertinentes à profissão. Busco assim, propagar ideias, desfazer certezas e construir caminhos.



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