Junto com dezembro vem o quase inevitável balanço sobre o ano que se despede e o vislumbre dos próximos doze meses que estão chegando. Simbolicamente, reorganizamos nossos armários, avaliando o que não nos serve mais e o que queremos manter e usar no próximo ano. Ficamos esperançosos e ansiosos com a expectativa que o encerramento de um ano possa aprisionar tudo o que houve de ruim e que, para o ano que se inicia repleto de possibilidades, possamos levar só aquilo que foi bom.
O entusiasmo do réveillon nos incita a iniciar aquela dieta, modificar o que nos perturba, retornar aos estudos, reformar a casa ou fazer a sonhada viagem. Ao determinar metas geramos perspectivas, motivação e reorganização da rotina. Para que as metas e a mágica animação não sejam engolidas pelo cotidiano, se dissipando nos primeiros meses, podemos levar alguns itens na bagagem para usarmos durante todo ano:
Metas objetivas banhadas em perspectivas realistas: objetivos específicos e claros ajudam a estabelecer e a se manter nos caminhos para alcançar os propósitos. Também é crucial ser realista com o tempo que dispõe para se dedicar à meta e com os recursos disponíveis. Desejar atingir em poucos meses o que, naturalmente, demanda um período maior pode gerar decepção e desânimo. Conquistas e mudanças requerem tempo e persistência e não estão necessariamente atreladas ao tempo do calendário.
Um kit de autonomia: certifique-se que o desenvolvimento das metas estipuladas dependa exclusivamente de você. Expectativas sobre outras pessoas funcionam como um atalho para a frustração.


Um bom punhado de “nãos”: saber dizer não é essencial para evitar diversos tipos de abusos e se libertar do sentimento de culpa por não estar disponível o tempo todo para todos em detrimento de si mesmo. Muito distante de egoísmo, é necessário e saudável não permitir que o seu espaço seja transgredido. Algumas doses de ousadia: o conforto do comodismo impede que novas vivências e novos caminhos sejam explorados. Dificilmente saberemos com antecedência os resultados de nossas escolhas. Esperar pela certeza plena para colocar aquele plano em prática pode implicar em nunca se sentir preparado para agir.
Um pacote de autocríticas construtivas: identificar estratégias para driblar as dificuldades que travam a execução das metas é mais produtivo e sadio do que focar nos erros cometidos. Tentativa e erro são partes naturais do caminho para as realizações. Não se culpabilize pelos atrapalhos no decorrer do percurso, pois a culpa paralisa. Em vez disso, se responsabilize pelo andamento de suas metas, uma vez que ser responsável por algo te coloca em posição de escolhas e ações.
Os sentimentos de esperança e renovação provocados pelo ano novo nos impulsionam a novos começos e recomeços. Entretanto, os propósitos não devem ser norteados simplesmente pela mudança de dígito do ano, mas pelos objetivos pessoais de cada um, que se modificam conforme a fase de vida. Que as metas não sejam para o ano novo, mas para o ano todo. Feliz ano todo!

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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Marciane Sossmeier
Psicóloga clínica com enorme interesse nos processos e mecanismos envolvidos nas interações e comportamentos humanos. Com orientação psicanalítica, mantém uma abordagem integral do ser humano e sua subjetividade. Graduada pela Universidade de Passo Fundo (UPF) e pós-graduanda em Dinâmicas das Relações Conjugais e Familiares pela Faculdade Meridional (IMED). .

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