O que fazemos com os erros

O acerto e o erro são faces da mesma moeda. Erros e acertos são próprios do agir. Quem faz acerta e erra ou por outra, erra e acerta.

Ora, se erros e acertos são próprios da ação humana, por que a possibilidade do erro é tão temida? Por que há bloqueios para admitir sua ocorrência?

Carl Jung dizia que “Fato muito natural e humano é que cada um ame suas próprias ideias”. E realmente, quando somos questionados, é como se nossa autoimagem entrasse em crise e nos sentimos vulneráveis.

Mas, isso é fruto, em grande parte, da herança cultural pautada na repressão, nos castigos e na visão idealizada de que a humanidade avança pela ação de indivíduos imunes à imperfeição: ídolos, heróis e santos.

Esquecemos que essas pessoas se tornaram ícones, sobretudo, pela coragem de se lançar à ação e de assumir os riscos da crítica e até da execração.

O medo exacerbado de errar é um dos inimigos da ação afirmativa. O medo é imobilizante. Presos em modelos de ação seguros vamos nos afastando de riscos, falhas e desvios.

De fato, todos querem uma ação segura e certeira. Mas, querer sempre cem por cento de segurança pode sonegar-nos uma existência mais criativa.

É como uma armadilha.

Um pensamento de Freud nos diz ‘a fuga é o instrumento mais seguro para se cair  prisioneiro daquilo que se deseja evitar’ e ilustra bem essa armadilha.

É assim: por medo de errar e arranhar o conceito pessoal diante dos outros, adotamos um estilo de agir impreciso. Cria-se um círculo vicioso de ação vacilante e resultado frustrante que alimenta uma crescente insegurança.

Contudo, há saídas. Podemos ser menos rígidos, perceber o erro de outra perspectiva. Perceber o erro como parte da rota construtiva da ação humana.

Errar é imanente ao agir. Inexiste ação humana que não seja marcada por alguma incorreção, imprecisão ou desvio. E aqui não se trata do erro perverso ou a serviço da crueldade que nega os valores humanos.

Aqui falamos do erro que resulta da ação construtiva. Do erro como produto da consciência de que projetamos ações perfeitas, mas somos incompletos.

Ora, mas se o erro é rota quase sem desvios, por que não tirar proveito e aprendizagens desse fato?

É ‘natural e humano’ buscarmos o acerto com afinco, mas isso não vai ser muito eficaz se não colocarmos nossas percepções em análise.

É a forma como percebemos que nos leva a agir de determinada maneira.

Então o medo exagerado de errar pode ser substituído por uma ação cuidadosa, mas flexível e beneficiada pela revisão de crenças pessoais.

Quando aprendemos, atualizamos crenças. Temos julgamentos movidos por percepções mais ricas. E percepções enriquecidas flexionam atitudes.

Atitudes afirmativas que equilibram realismo e esperança e imprimem a coragem de aprender novas formas de errar e acertar. De acertar e errar.

A coragem esclarecida que traz infinitas possibilidades.

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Liduína Benigno Xavier
Psicóloga, Mestre em Educação, formação em Facilitação de Processos humanos nas organizações, a escritora é consultora organizacional há mais de vinte e cinco anos; É autora do livro: Itinerários da Educação no Banco do Brasil e Co-autora do livro: Didática do Ensino Corporativo - O ensino nas organizações.Mantém o site: BlogdoTriunfo que publica textos autorais voltados ao aperfeiçoamento pessoal dos leitores e propõe reflexões que ajudam o leitor a formar visão mais rica de inquietações impactantes da existência.



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