A impulsividade, a melancolia obsessiva, os baixos níveis de serotonina e a falta de dotes sociais são algumas das vulnerabilidades que aumentam o risco de suicídio. O presidente da Academia Internacional de Pesquisa do Suicídio, o professor Rory O’Connor, há 20 anos estuda os processos psicológicos que se escondem por trás da morte autoinfligida. “Você viu as notícias?”, pergunta. Os jornais da manhã mostram os dados mais recentes: em 2013, foram registrados 6.233 suicídios no Reino Unido. Enquanto a taxa de suicídio feminino permanece mais ou menos estável desde 2007, a dos homens está no seu nível mais alto desde 2001. Quase oito em cada dez suicídios são do sexo masculino, um número que há mais de três décadas está em ascensão. Em 2013, a causa mais provável da morte de um homem entre 20 e 49 anos não era um assalto, um acidente, as drogas ou um ataque cardíaco, mas a decisão de não continuar a viver.

Aqueles que se dedicam ao estudo do suicídio, ou que trabalham em instituições de caridade voltadas para saúde mental, estão determinados a convencer as pessoas que raramente, ou quase nunca, existe um único fator que explique a morte autoinduzida, e que as doenças psiquiátricas, e mais comumente a depressão, geralmente precedem esse evento. “Mas o mais alarmante é que a maioria dos deprimidos não comete suicídio”, diz O’Connor. “Menos de 5% o fazem. Assim, as doenças psiquiátricas não explicam. Para mim, a decisão de cometer suicídio é um fenômeno psicológico. Aqui no laboratório, a nossa intenção é compreender a psicologia da mente suicida.”

Estamos sentados no escritório de O’Connor no Gartnavel Royal Hospital. Pela janela, sob um céu sombrio, se destaca a torre da Universidade de Glasgow (Escócia). Em um painel de cortiça, desenhos de seus dois filhos, um monstro laranja e um telefone vermelho. Escondida no armário, uma coleção sinistra de livros: Compreender o Suicídio, Por sua Própria Mão Inocente, e Uma Mente Inquieta, a célebre crônica da loucura, de Kay Redfield Jamison.

O Laboratório de Pesquisa de Comportamento Suicida, de O’Connor, trabalha com sobreviventes em hospitais, avaliando seus casos dentro das primeiras 24 horas após uma tentativa, e fazendo o acompanhamento do progresso posterior. Também realizam estudos experimentais para testar hipóteses sobre questões como a tolerância à dor de pessoas suicidas, ou possíveis alterações cognitivas após curtos períodos de estresse induzido.

Em 2013, a causa mais provável da morte de um homem entre 20 e 49 anos não era assalto, acidente de trânsito, drogas ou um ataque cardíaco, mas a própria decisão de não continuar vivendo

Depois de anos de estudo, O’Connor descobriu algo surpreendente sobre as mentes suicidas. É o chamado perfeccionismo social, e poderia nos ajudar a entender por que os homens tendem a cometer tantos suicídios.

TEXTO ORIGINAL DE EL PAÍS

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