Quando se fala em Hipnose, logo vêm à mente alguns mitos…

A hipnose não é considerada uma técnica esotérica?
Hipnose é um fenômeno neurofisiológico legítimo, em que o funcionamento do cérebro possui características muito especiais. Tais características, únicas, podem ser verificadas por alterações em eletroencefalograma no decorrer de todo estado hipnótico e visivelmente por manifestações não presentes em outros estados de consciência, como rigidez muscular completa, anestesia, hipermnésia (reforço da memória) e determinados tipos de alterações de percepção. A hipnoterapia usa as vantagens de trabalhar com o cérebro neste estado para ajudar as pessoas.

Há vantagens na Hipnoterapia?
Uma pessoa hipnotizada pode lembrar-se com mais detalhes de situações passadas (regressão de memória) que explicam suas dificuldades emocionais e/ou sociais do presente e, desta forma, otimizar seu tratamento terapêutico, pois uma das dificuldades dos procedimentos terapêuticos tradicionais é lidar com o “esquecimento” de determinados fatos do passado que atrasam o desenvolvimento da terapia.

É verdade que uma pessoa hipnotizada obedece a qualquer tipo de ordem dada?
Esta é uma condição rara. O cérebro da pessoa está sempre pronto para despertá-la se ocorrer algo ofensivo, que seja contra sua moral ou costumes. A parcela da população que obedece a quaisquer ordens dadas em estado hipnótico (altamente suscetível) é estatisticamente ínfima. Em geral, quando se veem esses fatos em TV, suspeita-se de fraude.

Posso ser hipnotizado sem minha permissão?
Está relacionado com a resposta anterior. É muito difícil hipnotizar uma pessoa que não queira cooperar ou que não confie no hipnólogo totalmente, pois, a função do cérebro é sempre proteger e não se expor a qualquer tipo de situação desconhecida. O tipo de atividade cerebral que ocorre quando uma pessoa está sendo ameaçada, oprimida, assustada ou desconfiada, inviabiliza o transe hipnótico que possa ter alguma utilidade terapêutica. É certo que existe uma porcentagem pequena da população que tem uma sensibilidade muito grande à indução hipnótica, e essas são as maiores “vítimas” dos hipnotizadores circenses, pois esses, pela prática, identificam tais pessoas numa platéia e sempre as escolhem para fazer as apresentações, que não tem objetivo terapêutico algum. Por outro lado, existe outra porcentagem, também pequena, da população que é insensível à indução hipnótica.

Se o terapeuta passar mal e desmaiar, eu ficarei para sempre em transe?
Não. Se algo ocorrer e a pessoa não for trazida do transe, ela continuará em processo de relaxamento até chegar o sono comum, cochilará por algum tempo e acordará normalmente; ou fará o processo inverso. Todo este processo é concluído em minutos.

Existe algum risco em fazer um tratamento terapêutico que use a hipnose?
Apenas se o profissional não possuir um treinamento, tanto teórico quanto prático, feito de forma responsável. Participar de hipnose de palco (shows de hipnotismo) pode representar risco a algumas pessoas, pois, o hipnotizador não lida com a técnica de maneira a ajudar as pessoas, sua função é meramente circense.

É Legal utilizar hipnose para tratamento de problemas emocionais, sociais etc?
Sim. A hipnose é hoje legalmente reconhecida e utilizada no Brasil por profissionais de Medicina, Odontologia, e Psicologia e possui diversas outras associações profissionais sérias em todo o mundo que estudam e utilizam a hipnose como ferramenta produtiva em seus campos de trabalho.

Então a hipnose poderia resolver tudo sozinha?
Não. A hipnose é uma ferramenta que deve ser usada dentro de um processo terapêutico muito mais amplo; hipnotizar a pessoa e apenas eliminar determinados sintomas, simplesmente, sem investigar a causa de tais sintomas, não resolve seus problemas e pode até mesmo disfarçar (ou deflagrar) um problema maior.

A hipnose pode tirar meus medos de uma só vez, rapidamente?
Em alguns casos sim, especialmente naquele grupo de pessoas mais sensíveis a indução hipnótica. Mas este tipo de terapia, apenas sintomática, é improdutiva e irresponsável. Muitas vezes, os sintomas apresentados por clientes são apenas como “a ponta do iceberg”. É necessário toda uma investigação para que a correta aplicação de técnicas pertinentes seja oferecida. A terapia não busca o simples alívio dos sintomas, mas sim a investigação das causas dos problemas para que os sintomas não mais ocorram nem se transformem em outros piores. Muitas vezes uma mera “dorzinha” é associada, num evento de regressão de memória, a memórias tristes da infância ou relacionamentos mal solucionados.

Por que o nome é “Hipnose”?
O termo “hipnose” deve o seu nome ao médico e pesquisador James Braid (1795-1860), que o introduziu pois acreditou tratar-se de uma espécie de sono induzido. (Hipnos era também o nome do deus grego do sono). Quando tal equívoco foi reconhecido por Braid, o termo já estava consagrado, e permaneceu nos usos científico e popular. Braid ficou famoso na época por fazer várias cirurgias com o uso da HIPNOANALGESIA (ou anestesia hipnótica).

Como o Conselho de Psicologia reconhece a Hipnose, se Freud a deixou há mais de 100 anos?
Em primeiro lugar, Freud fundou uma escola chamada Psicanálise que é muito diferente da Psicologia. Freud aprendeu a usar Hipnose com seu professor Charcot, através de um método considerado – atualmente – pouco efetivo para uso terapêutico (hipnose profunda), mas efetivo para uso nos pacientes atendidos por Charcot. Freud encerrou seus trabalhos com aquele método de Hipnose. Porém Milton Erickson teve especial participação na constatação de que técnicas leves – diferentes das usadas por Charcot e Freud – possuem maior efetividade terapêutica. Assim, o Conselho de Psicologia reconhece a contribuição de Milton Erickson na aprovação da Hipnose como técnica.

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Prof. George Olisan
Psicólogo - Avaliação Psicológica & Testes Psicológicos - Psicoterapia Ericksoniana (Hipnose Clínica) - Perito e Docente em Concursos Públicos (PMERJ & ACADEPOL) Mestre em Psicologia - Elaboração de Pesquisas e Instrumentos de Medida Pesquisador - Instituto de Psiquiatria da UFRJ Fundador do Centro Carioca de Avaliação Psicológica & Treinamento



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