Ser rejeitado me ensinou a lidar com a rejeição

Tem algumas pessoas que são artesãs da alma. Transformam as dificuldades pelas quais passam em grandes lições de vida e em combustível para seu progresso pessoal. O resultado disso não poderia ser diferente: elas colorem o mundo com um arco-íris de esperança e transformam suas feridas emocionais em arte inspirando pessoas que passam por situações delicadas a perceberem que nada acontece por acaso, ou seja, tudo o que nos acontece colabora com nossa evolução pessoal.

Foi o que aconteceu com o fundador do grupo Alibaba, gigante do comércio eletrônico e dona da Aliexpress no Brasil. Jack Ma, autor da frase usada no título deste artigo, é hoje é o homem mais rico da China e o 21º no ranking mundial de riqueza, traz uma história de superação a uma longa lista de rejeições e decepções. Em uma entrevista no Fórum Econômico Mundial, Suíça, 2015, ele contou um pouco de suas tentativas frustradas ao longo de sua vida. Tudo começou bem cedo, ainda na Educação Infantil, e se repetiu por muitas vezes, como ele declarou neste trecho da entrevista:

“Fui reprovado por duas vezes em um dos principais testes que se faz no Ensino

Infantil. Antes de ingressar no Ensino Fundamental reprovei em três exames da única escola que tinha na minha cidade.

Procurei emprego por 30 vezes e fui rejeitado. Eu concorria a uma vaga e eles diziam: ‘Não, você não é bom’. Quando o KFC foi inaugurado na minha cidade tentei uma vaga e, de 24 pessoas que concorriam, 23 foram contratadas para trabalhar. Eu fui o único rejeitado. Em outro lugar, cinco pessoas se inscreveram e quatro foram aceitas. Fui o único rejeitado novamente!

Me inscrevi em Harvard e fui recusado dez vezes. Eu sabia que seria rejeitado (brinca). Mas hoje digo a mim mesmo que um dia poderei ensinar lá”.

Quando questionado sobre o que aprendeu com a rejeição, Ma, respondeu:

“A gente começa a aceitar que não é tão bom quanto pensa. ”

Quando começou a Alibaba recebeu diversas críticas:

“As pessoas afirmavam que este modelo de negócio não daria certo e não seria lucrativo. Diziam ainda que o Google, eBay e Amazon eram melhores. Não existia nos Estados Unidos um modelo de negócio como Alibaba. Então, eu dizia a mim e aos outros: somos melhores do que vocês pensam. Mas hoje, no patamar que chegamos, eu digo: ‘Não! Não somos tão bons quanto as pessoas pensam. Somos uma empresa com apenas 15 anos de idade. Somos melhores que há 15 anos e em 15 anos seremos muito melhores do que somos hoje”.

Aprendendo a ser rejeitado entrou em contato com suas limitações, e a única maneira de superar as limitações ou os obstáculos interiores é saber quais são. Quando você descobre no que você não é bom pode trabalhar para desenvolver esta habilidade. Afinal, você só pode lutar contra um inimigo que conheça.

Outra possível lição que podemos tirar da história deste homem é que se você tentar seguir um caminho que não é o seu, certamente a vida lhe limitará. Imagine se Jack tivesse conseguido o emprego no KFC, estaria onde está hoje? Será que a gigante Alibaba existiria? Não sabemos ao certo, mas com a história de rejeições de Ma podemos ilustrar o quanto saber lidar com a rejeição e com outros sentimentos que consideramos negativos (aqueles que nos causam um “arrepio na espinha” só de imaginar) pode nos ajudar a chegar ao sucesso em nosso desenvolvimento. Aceitar a rejeição como professora,  ao invés de se lamentar por não ser aceito, é desenvolver maturidade emocional.

É claro que ser rejeitado DÓI, e dói muito! Todo mundo sabe disso, afinal a rejeição faz parte da experiência humana, todo mundo passou e passará por isto. Mas, este exemplo nos inspira substituir a pergunta a ser feita: ao invés de perguntar “o que a rejeição fez com você” sim “o que você fará dela”! Tudo na vida pode ser transformado, basta que você assuma o controle da sua vida.

Mais do que resiliência, esta história de vida nos inspira a desenvolver humildade e perseverança. Afinal, “o que não mata, fortalece” como já dizia Nietzsche.   

 

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Fernanda Alcantara
Psicóloga e psicoterapeuta junguiana em formação pelo Instituto Sedes Sapientieae no núcleo Jung e Corpo. Adoro auxiliar as pessoas a organizar suas vidas, suas histórias e dar um novo sentido às coisas e as experiências. Por isso, também sou Personal Organizer, auxiliando neste processo dentro do consultório e em suas casas, quando necessário.



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